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Existe 40 anos, um jornal escolheu transformar a educação em sua maior notícia

12 de julho de 2026
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Há 40 anos, um jornal escolheu transformar a educação em sua maior notícia
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Existe veículos de comunicação que somente registram os acontecimentos. Outros conseguem interferir no curso da própria história. Ao completar 40 anos, celebrados em 7 de julho, a Tribuna do Planalto reúne as duas características. Desde 1986, acompanhou as transformações políticas, econômicas e sociais de Goiás, mas foi além da missão de informar ao assumir um comprometimento permanente com a educação. 

Durante quase duas décadas, o jornal aproximou escolas, professores, estudantes e gestores públicos em torno de um projeto que ultrapassou as páginas impressas e se consolidou como uma das maiores iniciativas de incentivo à leitura, à escrita e à formação cidadã já promovidas através da imprensa goiana.

Essa trajetória iniciou de maneira discreta. Antes dos concursos que mobilizaram milhares de estudantes em todo o Estado, houve uma decisão editorial: abrir espaço para que a educação deixasse de ocupar somente as manchetes ocasionais e passasse a integrar o cotidiano do jornal.

Da redação para as salas de aula

No final da década de 1990, a direção da Tribuna do Planalto reconheceu a necessidade de dedicar um espaço permanente à educação. Dessa decisão nasceu o Caderno Escola, suplemento semanal de 16 páginas que de forma rápida se tornou referência para professores e estudantes.

Mais do que ampliar a cobertura jornalística, a publicação aproximou o jornal das escolas e produziu um ambiente propício para o surgimento de um projeto que marcaria a história da educação em Goiás.

Durante o planejamento da cobertura do aniversário de Goiânia, a equipe buscava um meio diferente de contar a história da capital. Ao invés de somente registrar os fatos, decidiu convidar os estudantes a refletirem sobre o município em que viviam.

O fundador e diretor-presidente da Tribuna do Planalto, Sebastião Barbosa da Silva, apresentou à Secretaria Municipal de Educação a proposta de um concurso de redação voltado aos alunos da rede pública. Assim nasceu o Goiânia na Ponta do Lápis.

“O projeto foi muito bem recebido tanto pela redação quanto pela Secretaria de Educação. Isso permitiu que déssemos continuidade à iniciativa durante muitos anos”, recorda Sebastião.

Criado para celebrar o aniversário da capital, o concurso de forma rápida passou a integrar o calendário das escolas. Professores incorporaram a proposta ao planejamento pedagógico e milhares de estudantes descobriram na escrita uma oportunidade para desenvolver pensamento crítico, criatividade e cidadania.

No decurso de 19 edições, o Goiânia na Ponta do Lápis consolidou-se como uma das mais relevantes iniciativas educacionais promovidas por um veículo de comunicação em Goiás. O sucesso da experiência logo despertou o interesse da Secretaria de Estado da Educação.

A então secretária Aliana França indicou ampliar o projeto para todos os municípios goianos. O desafio exigia uma estrutura muito maior, mas também representava a oportunidade de trazer a iniciativa a todo o Estado.

Sebastião aceitou a proposta e chamou o sociólogo e jornalista Paulo Faria para desenvolver um novo modelo de concurso. Nascia o Goiás na Ponta do Lápis, projeto que transformaria a Tribuna do Planalto em personagem principal de uma das maiores ações de incentivo à leitura e à escrita já promovidas através da imprensa brasileira.

Uma ideia que ganhou o Estado

A expansão do concurso marcou um novo capítulo na história do jornal. O Goiás na Ponta do Lápis passou a mobilizar escolas dos 246 municípios goianos e as então 40 subsecretarias regionais de educação, reunindo professores, gestores, universidades e milhares de estudantes em torno de um mesmo objetivo: desenvolver a leitura, a pesquisa e a produção textual.

Por trás dessa estrutura havia meses de planejamento. Antes da abertura das inscrições, jornalistas, educadores e representantes da Secretaria de Estado da Educação definiam o tema que orientaria cada edição, sempre com o propósito de aproximar o concurso da realidade vivida pelos estudantes.

À frente dessa articulação estava Enoel Júnior, responsável por coordenar o projeto e fazer a ligação entre a Tribuna do Planalto, a Secretaria de Estado da Educação e as regionais de ensino.

“Concluíamos uma edição e já começávamos a pensar na seguinte. Passávamos cerca de dois meses discutindo o tema que seria proposto naquele ano. A ideia era encontrar um assunto que provocasse reflexão e dialogasse com a realidade dos estudantes”, relembra.

Depois da definição do tema, eram produzidos regulamentos, cartazes, folders e todo o material de difusão. Cabia a Enoel percorrer o Estado para apresentar pessoalmente cada edição às equipes pedagógicas.

“Meu papel era explicar o regulamento, o cronograma e orientar como cada regional conduziria o concurso. Depois, esse trabalho era replicado para todas as escolas.”

Em um momento anterior à popularização da internet nas instituições de ensino, as visitas presenciais eram importantes para assegurar que todas as etapas fossem executadas de forma padronizada. Com o passar dos anos, a mobilização tornou-se espontânea.

“O projeto se consolidou. As próprias escolas procuravam a Tribuna do Planalto para saber quando seria lançado o cronograma da edição seguinte. A última edição foi realizada em 2017, encerrando um ciclo que marcou a educação em Goiás”, recorda Enoel.

Enquanto milhares de estudantes produziam seus textos, outra equipe assumia a etapa seguinte. As redações eram avaliadas por universidades parceiras, que analisavam criatividade, argumentação, domínio da língua portuguesa e adequação ao tema.

“Era uma tarefa árdua escolher cerca de quarenta ou cinquenta redações entre quase um milhão de textos”, resume Sebastião Barbosa da Silva.

Mais do que premiar os melhores trabalhos, o projeto revelou talentos, incentivou o hábito da leitura e aproximou famílias da vida escolar. Em vários municípios, as cerimônias de premiação tornaram-se um dos momentos mais esperados do calendário educacional.

Ao recordar essa trajetória, Sebastião não esconde o orgulho.

“O Goiás na Ponta do Lápis representa a maior conquista da minha trajetória no jornalismo. Foi o projeto pelo qual mais me apaixonei e o maior patrimônio que construí ao longo desses 40 anos.”

O jornal que também ensinava

Se os concursos deram visibilidade ao trabalho da Tribuna do Planalto nas escolas, o Caderno Escola foi o elo permanente entre o jornal e a comunidade escolar. Coordenado através do sociólogo e jornalista Paulo Faria, o suplemento reunia reportagens, entrevistas, artigos e conteúdos pedagógicos produzidos para apoiar o trabalho de professores e enriquecer o aprendizado dos estudantes.

O material ia além da difusão dos concursos. Levava informação habilitada para dentro das salas de aula, estimulava debates sobre temas contemporâneos e aproximava a imprensa das políticas públicas voltadas à educação. Em uma época em que poucos veículos mantinham um espaço editorial permanente para o setor, o Caderno Escola consolidou-se como referência e chegou a ser reconhecido como o maior suplemento de educação postado por um jornal semanal no Brasil.

Segundo Sebastião Barbosa da Silva, o sucesso do projeto foi resultado da construção coletiva entre jornalistas, educadores, universidades e gestores públicos.

“Sentamos para desenvolver o projeto e criamos um modelo voltado para todo o Estado. O Caderno Escola foi fundamental para fomentar os concursos e fortalecer essa relação com a educação”, afirma.

A jornalista Maria José Rodrigues, a Zezé, que editou a cobertura de Educação da Tribuna do Planalto, acompanhou de perto essa trajetória. Para ela, o suplemento tornou-se uma ferramenta pedagógica e contribuiu para aproximar o jornal das escolas.

“O concurso era uma das principais ações pedagógicas do Caderno Escola, publicação semanal distribuída às instituições públicas e privadas de ensino. Foi uma experiência extremamente enriquecedora participar da organização dessa iniciativa, que acabou incorporada ao calendário escolar das unidades de ensino.”

No fim de cada edição, uma publicação especial reunia as redações vencedoras e eternizava a produção dos estudantes. Para muitos deles, aquele foi o primeiro texto postado, experiência que despertou o interesse através da leitura, através da escrita e, em alguns casos, através do jornalismo.

Mais do que premiar talentos, os concursos desenvolveram o protagonismo estudantil, fortaleceram o vínculo entre escola e comunidade e demonstraram que a educação poderá também ser construída com o auxílio da comunicação.

A ex-editora-chefe da Tribuna do Planalto, Elizeth Araújo, acredita que essa vocação transformou o próprio ambiente da redação.

“Foram tantos projetos, tanto aprendizado para a Comunicação, que a Tribuna virou uma Escola de Jornalismo.”

Histórias que transformaram vidas

Os números ajudam a dimensionar o alcance do Goiás na Ponta do Lápis, mas são as histórias que revelam seu verdadeiro legado.

Durante anos, a equipe da Tribuna do Planalto percorreu o Estado para entregar medalhas, bicicletas, televisores e computadores aos estudantes premiados. Em muitas cidades, as cerimônias reuniam famílias inteiras e se transformavam em grandes celebrações da educação.

“Pais, mães, avós e tios chegavam emocionados para ver seus filhos receberem uma medalha. Para nós podia parecer um gesto simples, mas para aquelas famílias era uma conquista imensa”, recorda a ex-editora-chefe Elizeth Araújo.

A jornalista Zezé, lembra que cada premiação também valorizava a cultura local, com apresentações de música, dança e teatro realizadas pelos próprios estudantes.

Entre as muitas histórias que marcaram o projeto, algumas permanecem inesquecíveis. Em Goianésia, um estudante da zona rural chorou ao receber uma bicicleta, prêmio que passou a melhorar o trajeto diário até a escola. Em Aparecida de Goiânia, outro estudante ganhou uma televisão, levando a mãe às lágrimas ao revelar que a família nunca havia tido um aparelho em casa.

A história que mais marcou Elizeth foi a de Thamires, estudante da área oeste de Goiás que escreveu sua redação em braile. “Quando descobrimos o texto, fomos conhecer sua história. Ela tinha deficiência visual, enfrentava uma doença degenerativa e precisava de um medicamento de alto custo”, conta. Vencedora do concurso, Thamires ganhou visibilidade e conseguiu acesso ao tratamento. Na cerimônia final, emocionou o público ao cantar para os que estavam alí. “O concurso transformou vidas por meio da educação e do jornalismo”, resume Elizeth.

Quarenta anos depois de sua fundação, a Tribuna do Planalto continua acompanhando a história de Goiás. Mas parte desse legado também foi escrita dentro das escolas. Nas páginas do Caderno Escola, nos concursos de redação e nas milhares de histórias que nasceram a começar deles, o jornal demonstrou que informar e educar podem caminhar lado a lado.

O resultado se mantém vivo na memória de professores, estudantes e jornalistas que participaram dessa trajetória.

Existe 40 anos, um jornal escolheu transformar a educação em sua maior notícia

Fonte: Tribuna do Planalto

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