Uma nova diretriz elaborada por entidades médicas dos Estados Unidos, entre elas o American College of Cardiology (ACC) e a American Heart Association (AHA), traz mudanças importantes na abordagem do colesterol alto e na prevenção de doenças cardiovasculares. O documento atualiza recomendações com foco na redução de riscos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), principais causas de morte no mundo.
Entre as principais orientações fica o começo precoce dos cuidados, mesmo antes do surgimento de sintomas ou diagnósticos. A diretriz destaca a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos, controle do peso, qualidade do sono e abandono do tabagismo. Quando essas medidas não são suficientes, o uso de remédios pode ser indicado de forma mais antecipada.
De acordo com o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, a atualização reforça uma mudança já percebida na prática clínica. “Hoje se sabe que o colesterol elevado provoca danos silenciosos ao longo dos anos. Quanto mais precoce é o controle desse fator de risco, maiores são as chances de prevenir complicações graves no futuro, como infarto e acidente vascular cerebral.”, explica.
Outro momento importante é a definição de metas mais rigorosas para o colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, particularmente para pessoas com maior risco cardiovascular. “A lógica é clara: quanto menor o nível de LDL no sangue, maior é a proteção para o coração. A redução desse colesterol está diretamente associada à diminuição significativa do risco de infarto e acidente vascular cerebral.”, destaca o médico.
A diretriz também incorpora ferramentas mais modernas para avaliação de risco, como o modelo PREVENT, que permite estimar a probabilidade de eventos cardiovasculares em até 30 anos. Além do que, exames como a dosagem de lipoproteína(a) e apolipoproteína B ganham maior relevância na análise individual dos pacientes.
Para José Israel, essa abordagem mais personalizada representa um avanço considerável. “Nem todos os pacientes apresentam o mesmo perfil de risco. Esses novos exames permitem uma avaliação mais precisa do risco individual e possibilitam um tratamento mais direcionado e eficaz”, afirma.
O documento ainda instrui, em situações específicas, a realização de exames como a tomografia de cálcio coronariano, capaz de reconhecer precocemente a presença de placas nas artérias. Outro destaque é a direção para começar a avaliação ainda na infância, com exames entre 9 e 11 anos, principalmente em casos com histórico familiar.
Além das estatinas, que continuam como base do tratamento, novas opções terapêuticas também são mencionadas para pacientes que não atingem as metas determinadas.
“Essa atualização reforça que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. Com informação adequada, acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida, é possível reduzir de forma significativa o risco de doenças cardiovasculares.”, conclui o médico.
A diretriz reforça a necessidade de uma atuação mais preventiva, personalizada e baseada em evidências no enfrentamento ao colesterol alto e às doenças cardiovasculares.
Diretriz internacional atualiza recomendações para controle do colesterol e prevenção de doenças cardiovasculares
Fonte: Tribuna do Planalto


