A saída do PL da aliança caiadista, confirmada através do próprio Flávio Bolsonaro (PL) ao governador Ronaldo Caiado (PSD) na quarta-feira, 25, levou o grupo governista a se movimentar para defender apoios à candidatura de Daniel Vilela (MDB), em particular em segmentos bolsonaristas.
O primeiro reflexo foi na disputa ao Senado, que até então contava com duas candidaturas no grupo. Agora, já se discute a inclusão de novos projetos, como o do deputado federal Zacharias Calil, de saída do União Brasil, e do senador Vanderlan Cardoso (PSD), além de outros interessados. Zacharias e Vanderlan não se exibiram motivados com a solução.
A escolha do vice também ganha peso estratégico. Até então, o nome que melhor atendia aos critérios de Caiado era o de Adriano Rocha Lima, perfil técnico, sem pretensões eleitorais e que, em tese, não concorreria o governo em 2032, deixando o caminho livre para a articulação do atual governador.
Com a saída do PL, no entanto, cresce a cotação de José Mário Schreiner, através da forte ligação com o agronegócio, base relevante do bolsonarismo. Luiz Carlos do Carmo, representante do segmento evangélico, outro pilar bolsonarista, também amplia espaço na disputa.
José Mário Schreiner já afirmou que só vai fazer parte da eleição se for candidato a vice-governador. Não se sabe se exclusivamente a chapa de Daniel Vilela lhe serve. Foto: FPA
Acenos ao agro
O agronegócio é um dos principais pilares do bolsonarismo, e a pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) ao governo, com apoio de Jair Bolsonaro, ameaça ao menos dividir o eleitorado do agro entre PL e MDB. Ao antecipar o final da cobrança da taxa do Fundeinfra, Ronaldo Caiado tenta se reaproximar do setor, que nunca assimilou bem a chamada taxa do agro. É importante relembrar que o próprio Caiado tem trajetória política ligada ao agronegócio, sendo por anos um de seus principais porta-vozes.
Anistia
Caiado também direcionou à Assembleia Legislativa projeto que anistia multas aplicadas a mais de 10 mil produtores rurais por transporte de gado auxiliado exclusivamente da Guia de Trânsito Animal (GTA) ou do Termo de Trânsito Animal (TTA), sem a documentação fiscal exigida à época. As autuações somavam por volta de R$ 1 bilhão. O governador ressaltou que a anistia é uma demanda antiga do setor. Não por acaso, saiu agora.
Taxa do Agro 1
O deputado estadual Gustavo Sebba (PSDB) apresentou emenda ao projeto que extingue a taxa do Fundeinfra prevendo a devolução de aproximadamente R$ 2,3 bilhões que estariam em caixa aos produtores, de forma proporcional ao valor recolhido. Sebba argumenta que, diante do baixo número de obras entregues, a melhor alternativa é restituir os recursos ao setor.
Taxa do Agro 2
O presidente da Alego, Bruno Peixoto, defende celeridade na tramitação do projeto que extingue a taxa do agro. A votação deve ocorrer até a próxima quarta-feira (4/3). Depois de o anúncio do final da cobrança, Bruno afirmou que a taxa diminui a margem de lucro e compromete a capacidade de reinvestimento do produtor rural.
Escudo feminino
O vereador Major Vitor Hugo (PL) fez apelo público ao prefeito Sandro Mabel (MDB) para que não vete o projeto conhecido como “escudo feminino”, aprovado através da Câmara de Goiânia. A proposta cria um pacote de medidas de proteção às mulheres vítimas de violência, incluindo assistência psicológica, direção jurídica, cursos de defesa pessoal e treinamento em segurança. O texto também menciona a possibilidade de aquisição de arma de fogo de uso permitido. A bancada do PL tem criticado os 136 vetos aplicados através do prefeito a projetos que foram aprovados através do Legislativo.
Final da reeleição
Depois de Gilberto Kassab (PSD), agora é Flávio Bolsonaro (PL) quem levanta a bandeira do final da reeleição. O senador iniciou a coleta de assinaturas para protocolar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição para presidente da República. Até o momento, ele juntou 14 das 27 assinaturas necessárias para apresentar a proposta no Senado.
Promessa
É importante relembrar que, em 2018, ainda candidato através do PSL, Jair Bolsonaro defendeu o final da reeleição. À época, afirmou que, se eleito, proporia reforma política com o término do instituto da reeleição e redução do número de parlamentares. Eleito presidente, o tema deixou de ser cuidado.
Tem dono
O senador Jorge Kajuru (PSB) utilizou as redes sociais para lembrar a Flávio Bolsonaro que a PEC 12/2022, de sua autoria, indica o final da reeleição para presidente, governadores e prefeitos, com mandato único de cinco anos, e já foi aprovada na CCJ no mês de maio de 2025. “Desculpe, Flávio Bolsonaro, mas a PEC é minha e já foi aprovada em maio do ano passado”, postou o senador goiano.
O nome do PT
O PT promete anunciar, outra vez, nos próximos dias o nome do pré-candidato ao governo de Goiás. Algumas variáveis já estariam descartadas. A direção é priorizar alianças no campo da esquerda, como afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em visita a Goiânia. Boulos negou qualquer articulação eleitoral do presidente Lula em Goiás que envolva o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).
Renda em Goiás
1 – Goiás supera a média nacional e registra renda domiciliar per capita de R$ 2.407 em 2025, segundo o IBGE.
2 – No Brasil, o rendimento domiciliar per capita ficou em R$ 2.316 em 2025, avanço em relação aos R$ 2.069 registrados em 2024.
3 – Goiás fica entre as nove unidades da federação, além do Distrito Federal, com renda acima da média nacional, à frente de Minas Gerais e Mato Grosso.
Mudança na rota
Fonte: Tribuna do Planalto



