O senador Vanderlan Cardoso (PSD) foi criticado por seguidores depois de publicar, em redes sociais, uma mensagem parabenizando o cinema brasileiro pelas duas estatuetas conquistadas no Globo de Ouro, domingo agora (11). A reação negativa de parte de sua base evidencia que o elogio à premiação foi interpretado por apoiadores como adesão a um debate ideológico.
Conservador e evangélico, Vanderlan passou a ser perguntado por parte da base bolsonarista depois de apoiar a eleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para presidência do Senado, em 2023. Na ocasião, o deputado federal Gustavo Gayer (PL) o chamou de “vagabundo”, episódio que resultou em uma disputa judicial entre os parlamentares.
Nos comentários da publicação em que exalta a figura do ator Wagner Moura, seguidores questionaram a postura do senador e associaram o reconhecimento artístico a alinhamentos políticos. Entre as mensagens que ganharam destaque, estão uma em que o classifica como “defensor dos comunistas”.
“Votei no senhor, agora me responde, o senhor concorda com o discurso do Wagner Moura? Senador, estamos cansados de ser roubados , o que o senhor tem feito em relação ao escândalo do INSS, banco master? 300 mil na conta do Lulinha, e agora saiu na imprensa que 700 mil foram para a amiga da Janja no STM”, perguntou outro seguidor.
“Nós não estamos preocupado como o cinema brasileiro é visto no exterior não, estamos preocupado com o rombo do INSS, o escândalo do banco Master envolvendo familiares do STF, sigilo que o banco Master colocou nas conversas com Alexandre de Moraes, estamos preocupado com mais pessoas recebendo benefícios do governo do que pessoas com carteira assinada.”, escreveu outro perfil.
Vanderlan Cardoso foi o único dos três senadores goianos a comentar a premiação em redes sociais, em checagem realizada através da Tribuna do Planalto ate às 11 horas desta segunda-feira, mais de 10 horas depois de o anúncio dos vencedores.
Bancada goiana
O episódio ajuda a explicar a cautela adotada através da bancada goiana no Congresso Nacional. Dos 17 deputados federais por Goiás, as manifestações sobre a premiação foram pontuais e restritas a quatro parlamentares. Lêda Borges (PSDB) postou no feed um recorte de notícias e escreveu “VIVA o cinema brasileiro. VIVA o BRASIL!”, com comentários de apoio. Já José Nelto (UB) repostou o vídeo de um site de notícias e escreveu: “Parabéns, Wagner Moura. Viva a democracia”.
Outras manifestações ocorreram unicamente nos stories do Instagram, como a da deputada Adriana Accorsi (PT), que postou uma saudação ao ator. “Viva a cultura brasileira, viva o Brasil”. Já a deputada Flávia Morais afirmou, também na plataforma temporária, que “o Brasil está fazendo história no cinema” e que o reconhecimento fortalece o cinema nacional no cenário global, citando “mais investimentos, aquecimento do mercado interno” e o objetivo de “despertar o interesse da população para a arte”.
Em nível nacional, vários políticos de esquerda elogiaram a premiação. O perfil oficial do Governo do Brasil e presidente Lula (PT) fizeram publicações depois de a premiação. “O cinema brasileiro mais uma vez no topo do mundo!”, escreveu o presidente. “Quanta honra foi receber, em agosto do ano passado, parte do elenco e da produção do filme para uma sessão no Cine Alvorada.”, complementou em foto a primeira-dama Janja, Wagner Moura e o cineasta Kleber Mendonça Filho.
Ideologia
A opção através do silêncio ocorre em meio à politização das premiações do cinema brasileiro, em debate que ganhou força quando o Óscar premiou como melhor filme estrangeiro Ainda Estou Aqui, em 2025, protagonizado através da atriz Fernanda Torres. Na época, setores da direita acusaram a Academia de privilegiar obras associadas à agenda progressista, particularmente produções que abordam o momento da ditadura militar.
Em 2026, a discussão voltou ao centro do debate com o reconhecimento internacional de O Agente Secreto, que rendeu ao Brasil duas estatuetas: melhor ator para Wagner Moura e melhor filme de língua não inglesa. Ambientado nos anos 1970, o longa retrata a história de um professor universitário que retorna ao Recife para reencontrar o filho caçula em meio aos riscos da ditadura militar.
No discurso de agradecimento, Wagner Moura afirmou que o Brasil viveu a “manifestação física dos ecos da ditadura” durante o governo de Jair Bolsonaro e explicou que o país voltou a respeitar a cultura no governo do presidente Lula, sem nomeá-los diretamente.
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Fonte: Tribuna do Planalto


