O estudo apresentado através do Dr. Daniel Goulart Filho no XXXIII CONGRESSO BRASILEIRO DE NEFROLOGIA sugere que a espironolactona pode ser uma alternativa eficaz e segura para diminuir a perda de proteína na urina em determinados pacientes com doença renal crônica, desde que haja acompanhamento médico e controle do potássio e da função renal.
Em uma frase: o trabalho mostra que um remédio já conhecido e relativamente acessível pode amparar a proteger os rins de alguns pacientes com doença renal crônica, diminuindo um importante marcador de progressão da doença.
O estudo apresentado através do Dr. Daniel Goulart Filho traz resultados interessantes:
1. Quem foi estudado: pacientes com doença renal crônica estágio 3 (DRC 3) e albuminúria. A média de idade foi de aproximadamente 65 anos. O estudo foi retrospectivo e comparou pacientes que receberam espironolactona com um grupo controle.
2. O principal achado foi a albuminúria. No grupo cuidado com espironolactona, a quantidade de albumina eliminada na urina apresentou uma redução importante no decorrer do acompanhamento. Isso é relevante porque a albuminúria funciona como um marcador de ferimento renal: em geral, quanto maior e mais persistente, maior o risco de progressão da doença renal. Diretrizes atuais também julgam clinicamente relevante diminuir a albuminúria em pessoas com DRC.
3. A função renal também foi seguida. O estudo avaliou a TFG (taxa de filtração glomerular), que é uma medida da capacidade dos rins de filtrar o sangue. Através do pôster, não se observa que o benefício sobre a albuminúria tenha vindo seguido de uma deterioração renal que anulasse esse resultado.
4. E o potássio? Esse é um ponto em particular importante. A espironolactona pode elevar o potássio, sobretudo em quem já tem doença renal. Por isso, o trabalho também avaliou hipercalemia como efeito adverso. Essa preocupação fica conforme com as diretrizes atuais, que recomendam monitorar potássio e função renal quando antagonistas dos receptores mineralocorticoides são usados em pessoas com DRC.
5. O que o estudo permite concluir: a conclusão dos autores é que a espironolactona foi uma alternativa eficaz e segura para diminuir a albuminúria nesta população, sem aumento dos desfechos adversos avaliados. Mas existe uma ressalva importante: trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, portanto ele fornece evidência favorável, mas não tem a mesma força de um grande ensaio clínico randomizado.
Existe respaldo na literatura para o achado: a Sociedade Brasileira de Diabetes registra que a espironolactona pode produzir redução importante da albuminúria, embora exija atenção aos efeitos adversos.
Traduzindo tudo em uma frase bem simples:
O trabalho do Dr. Daniel Goulart Filho achou evidências de que a espironolactona pode diminuir significativamente a perda de proteína através da urina em pacientes com doença renal crônica estágio 3, o que é um sinal favorável de proteção renal, desde que o tratamento seja seguido com controle da função dos rins e do potássio.
Médico Daniel Goulart Filho, especialista em Nefrologia, participa do Congresso Brasileiro de Nefrologia em BH
Fonte: Jornal Horaextra


