O senador e candidato ao Governo de Goiás Wilder Morais (PL) informou na próxima terça (1º) que assinou um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A adesão ocorreu no mesmo dia em que vieram a público documentos da Polícia Federal relacionados ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O material integra a Petição 16.662, cujo sigilo foi retirado através do ministro André Mendonça. O procedimento reúne dados obtidos através da PF durante a Operação Compliance Zero, dentre eles conversas identificadas no celular de Vorcaro atribuídas a um contato reconhecido como Alexandre de Moraes. Mendonça decidiu que os novos elementos precisarão ser analisados através do plenário do Supremo.
Entre os documentos fica um contrato de R$ 131 milhões firmado através do Banco Master com o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. A análise dos metadados feita através da PF apontou que a última modificação do arquivo, no mês de janeiro de 2024, estava associada a um usuário reconhecido como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O registro, isoladamente, não comprova quem efetivamente alterou o documento nem eventual participação do ministro na contratação.
Wilder sustenta que os fatos justificam o afastamento de Moraes enquanto o caso é esclarecido.
“Ele precisa se afastar ou ser afastado”, afirmou o senador, ao anunciar a assinatura do pedido de impeachment.
O parlamentar também cobrou uma resposta do Senado e afirmou que Moraes deve prestar esclarecimentos sobre sua relação com Vorcaro e sobre o contrato envolvendo o escritório da mulher.
Apesar da ofensiva política, Moraes não foi formalmente incluído como investigado na Petição 16.662. A PF também ressalvou que não realizou diligências investigativas contra magistrados e não concluiu que o ministro tenha cometido crime, interferido nas apurações ou atendido a pedidos de Vorcaro.
De acordo com a assessoria de Wilder, o senador aderiu a um pedido atribuído à senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A parlamentar havia anunciado no plenário do Senado que apresentaria uma denúncia por crime de responsabilidade contra Moraes depois de a difusão do material.
A apresentação de um pedido, no entanto, não significa a abertura automática do processo. No caso de ministros do STF, a denúncia tramita no próprio Senado. O presidente da Casa despacha o documento, que passa por análise técnica antes de eventual deliberação. Atualmente, a Presidência é ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP).
Wilder assina pedido de impeachment de Alexandre de Moraes no Senado
Fonte: Tribuna do Planalto



