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A geração que chegou à vez: Daniel Vilela, os novos chefes e o futuro da política goiana

17 de junho de 2026
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A geração que chegou à vez: Daniel Vilela, os novos líderes e o futuro da política goiana
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A chegada de Daniel Vilela ao Palácio das Esmeraldas representa mais do que uma mudança administrativa. Em muitos aspectos, simboliza a ascensão de uma geração inteira de chefias que se formou nos movimentos estudantis, nas juventudes partidárias, nas entidades de representação, nas organizações religiosas e nos mais vários espaços de participação social espalhados por Goiás.

Ao acompanhar esse momento, não consigo impedir uma reflexão sobre minha própria trajetória.

Não sou herdeiro político. Talvez seja até um “aborto da natureza” dentro dos padrões tradicionais da política goiana. Minha formação ocorreu longe dos gabinetes e das estruturas de poder. Iniciou na Igreja Católica, em particular junto à juventude de Nerópolis. Foi convivendo com os jovens do Continua-me, compartilhando sonhos, inquietações e desafios, que compreendi uma verdade que carrego até hoje: a política é o instrumento mais poderoso criado através da humanidade para transformar vidas e melhorar a sociedade.

Foi com esse espírito que, aos 19 anos, tive contato com a militância partidária. Ao ingressar na Juventude do PSDB, conheci um universo muito diferente daquele em que havia crescido. Vindo de um ambiente mais conservador, fui apresentado ao movimento LGBTQIA+, ao movimento feminista, aos coletivos ligados à cultura afro-brasileira e a incontáveis outras expressões da sociedade coordenada.

O impacto inicial foi inevitável. Com o tempo, contudo, aquela convivência tornou-se uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida. Aprendi que a democracia não se fortalece através da uniformidade de pensamento, mas através da capacidade de convivência entre diferentes. Aprendi que é viável discordar profundamente sem abrir mão do respeito, da amizade e da admiração.

Foi neste ambiente plural que conheci muitos dos nomes que hoje ocupam posições relevantes na vida pública.

Por isso, ao ver Daniel Vilela assumir o comando do Estado, lembro de uma expectativa compartilhada por muitos de nós ainda na juventude: a de que, depois da geração que iniciou sua caminhada política nos anos 1980, chegaria o momento de uma nova leva de chefias assumir responsabilidades maiores, respeitando o legado recebido, mas preparada para construir seu próprio caminho.

Entre aqueles que fizeram parte dessa caminhada estão Michel Magul, chefia religiosa da Igreja Ortodoxa em Goiânia, estudioso da política internacional e dos grandes temas globais; Aava Santiago, uma das principais vozes progressistas do estado; Sabrina Garcez, cuja capacidade de articulação e chefia a transformou em referência na política da capital; e Murillo Marques, cuja trajetória foi construída através da confiança, através do trabalho e através da dedicação à vida pública.

Na Assembleia Legislativa, Lucas Calil consolidou uma atuação consistente e próxima de suas bases. Ao seu lado, merece destaque Gustavo Sebba, médico, agricultor e deputado estadual que tem pautado sua atuação através da coerência, através da ética e através da fidelidade às suas convicções, construindo uma identidade própria sem abrir mão do legado político de seu pai, Jardel Sebba. E ainda Wagner Neto, integrante de uma família tradicional da área de Itapuranga, que vem construindo sua própria trajetória pública a contar da forte conexão com o setor agropecuário e com as demandas do interior goiano.

Entre as chefias surgidas do movimento estudantil e da participação juvenil, destacam-se ainda Thiago Albernaz, um dos pioneiros na ocupação de espaços institucionais por jovens chefias, e Lucas Kitão, cuja atuação esteve sempre associada à proximidade com o povo e à busca por soluções práticas para os desafios da gestão pública.

No campo jurídico, Darô Fernandes e Auro Jayme representam trajetórias distintas, mas igualmente relevantes. Enquanto Darô preserva presença ativa nos debates institucionais e jurídicos do estado, Auro tornou-se uma das referências da nova geração da advocacia goiana, exercendo influência importante nos espaços de representação da categoria.

O interior de Goiás também produziu chefias de destaque. Cléber do Zezé, em Santo Antônio de Goiás; Carlinhos Canzi, em Jataí; Marcello Valle, em Mineiros; Toninho, na área de Uruaçu; e Hugo Gomes, em Nerópolis, representam diferentes realidades, mas compartilham a mesma disposição de assumir responsabilidades e confrontar os desafios da vida pública.

Na área do Entorno do Distrito Federal, Marco Túlio, Diego Sorgato, Marcus Vinícius e Pábio Mossoró construíram protagonismo político a contar do profundo conhecimento das demandas locais e regionais.

Em Itumbiara, Zé Antônio preserva importante presença política no sul do estado. Em Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha consolidou-se como uma das figuras mais conhecidas da política goiana contemporânea, enquanto Lipe Gomes representa a continuidade de uma nova geração de chefias vinculadas ao grupo político liderado por Marconi Perillo.

Outro nome que merece destaque é Danilo Jandaia. Oriundo do movimento estudantil, acumulou experiências em funções relevantes nos governos de Goiás, do Brasil e de São Paulo antes de assumir a Prefeitura de Jandaia, onde hoje coloca em prática a experiência adquirida no decorrer de sua trajetória.

Nos legislativos municipais, Higor Franco, Lucas Vergílio, Fabrício Rosa e Thiallo Guiotti, em Goiânia, e Allyson Rosa, atual presidente da Câmara Municipal de Ipameri, representam uma geração que compreendeu cedo a necessidade da participação política e da construção institucional.

A política, entretanto, não se faz unicamente nos parlamentos e governos. Tiago Falbo demonstra isso ao atuar junto ao setor empresarial e às entidades representativas da sociedade civil coordenada.

Entre os exemplos femininos dessa geração, destaca-se Igara de Castro, primeira-dama de Goianésia, que vem desenvolvendo importante trabalho social e contribuindo para ampliar as ações voltadas à população mais carente ao lado do prefeito Renato de Castro.

Da mesma forma, Narcia Kelly consolidou-se como uma das principais referências do cooperativismo goiano e da chefia feminina no estado, trajetória fortalecida por sua experiência à frente da Prefeitura de Bela Vista de Goiás.

Ao ampliar o olhar para além das fronteiras goianas, é impossível não lembrar de trajetórias que seguiram caminho semelhante em diferentes regiões do país. Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, ambos egressos da Juventude do PSDB, demonstram como os espaços de formação política foram capazes de preparar chefias para assumir algumas das mais importantes responsabilidades públicas do Brasil.

Esse processo não produziu unicamente governantes. Também revelou profissionais que passaram a ocupar posições de influência em outras regiões da vida nacional. É o caso de Paulo Mathias, comunicador e apresentador em São Paulo, cuja trajetória também teve origem na militância juvenil tucana. São exemplos que reforçam uma constatação simples: os ambientes de participação política e formação de chefias produziram uma geração capaz de contribuir com o país em diferentes campos, da gestão pública à comunicação, da representação política à sociedade civil.

Ao observar todos esses nomes, uma característica se destaca: apesar das diferenças ideológicas, partidárias, religiosas e pessoais, existe entre nós uma história comum.

Somos uma geração composta na convivência democrática.

Uma geração que aprendeu a debater sem destruir pontes.

Uma geração que compreendeu que adversários não precisam ser inimigos.

Uma geração que conviveu com conservadores, progressistas, liberais, social-democratas, religiosos, empresários, sindicalistas, ativistas, gestores públicos e representantes dos mais vários setores da sociedade.

Nem todos concordam entre si. Talvez poucos concordem em tudo. Mas existe algo que nos junta: o respeito.

Conheço muitos desses nomes de perto. Conheço suas virtudes, suas limitações, seus acertos e seus erros. E justamente por isso acredito que nossa geração chega aos espaços de decisão mais preparada tecnicamente, mais madura politicamente e mais consciente da complexidade dos desafios que Goiás enfrenta.

Naturalmente, os nomes aqui citados são unicamente alguns exemplos. Existem muitos outros homens e mulheres da nossa geração ocupando posições de chefia nos municípios, nas entidades de classe, no setor produtivo, nos movimentos sociais, nas organizações religiosas, no serviço público e na iniciativa privada. Se, involuntariamente, deixei alguém de fora desta reflexão, desde já peço desculpas.

Além do mais, essa eventual omissão unicamente confirma a riqueza do processo vivido por nossa geração. A quantidade e a qualidade das chefias compostas nos movimentos estudantis, nas juventudes partidárias e nas diversas organizações da sociedade são tão expressivas que seria impossível registrar todas em um único artigo.

O mais importante é reconhecer que existe uma geração inteira assumindo responsabilidades, ocupando espaços de decisão e fazendo a diferença na vida das pessoas em Goiás e em todo o Brasil.

A chegada de Daniel Vilela ao governo simboliza, em muitos aspectos, a chegada definitiva dessa geração aos espaços centrais de decisão.

Agora cabe a todos nós honrar essa oportunidade, auxiliando a construir um Goiás mais justo, equilibrado, desenvolvido e capaz de proporcionar qualidade de vida para todos os seus cidadãos.

A geração que chegou à vez: Daniel Vilela, os novos chefes e o futuro da política goiana

Fonte: Tribuna do Planalto

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