Enquanto grandes centros urbanos do Norte e Nordeste ainda convivem com índices elevados de extrema pobreza, a Área Metropolitana de Goiânia aparece entre as regiões metropolitanas com os menores percentuais de pessoas nesta condição no Brasil. Dados do boletim Desigualdade nas Metrópoles, elaborado a começar de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 1,5% do povo da capital goiana e municípios do entorno vivia em situação de extrema pobreza em 2025.
O índice coloca Goiânia na última posição entre as 22 regiões metropolitanas analisadas, empatada com Cuiabá, e bem abaixo da média nacional das regiões metropolitanas, que ficou em 3,2%.
No extremo oposto do ranking aparecem São Luís (6,6%), Salvador (6,5%) e Fortaleza (5,4%), cidades onde o percentual de pessoas em extrema pobreza supera em mais de quatro vezes o registrado na metrópole goiana.
Os números evidenciam uma realidade relativamente mais favorável para Goiás quando comparada a outros grandes centros urbanos do país. Ainda assim, especialistas alertam que a redução da extrema pobreza não significa necessariamente o final das desigualdades sociais.
A extrema pobreza avalia famílias com renda insuficiente para suprir necessidades básicas, em particular alimentação. Entretanto, indicadores como acesso à moradia adequada, educação de qualidade, mobilidade urbana e oportunidades de emprego também influenciam diretamente a qualidade de vida do povo.
Nos últimos anos, Goiânia e municípios vizinhos foram beneficiadas por uma combinação de crescimento econômico, expansão dos setores de serviços, comércio e agronegócio, além de programas de transferência de renda. Esses fatores ajudaram a diminuir a cota do povo em situação mais carente.
Por outro lado, desafios históricos permanecem presentes. A expansão urbana acelerada, a desigualdade entre bairros centrais e periféricos e a pressão sobre serviços públicos seguem entre os principais obstáculos confrontados através da área metropolitana.
O levantamento reforça ainda que a desigualdade brasileira apresenta forte componente regional. Capitais das regiões Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de extrema pobreza, enquanto cidades do Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste registram indicadores mais baixos.
Embora os resultados coloquem Goiânia em posição de destaque nacional, especialistas defendem que o desafio das políticas públicas deve ir além do enfrentamento à pobreza extrema, buscando ampliar oportunidades e diminuir diferenças de renda e acesso a serviços essenciais.
Rio Quente conquista 1º lugar em qualidade de vida
Se Goiânia se destaca por registrar um dos menores índices de extrema pobreza entre as regiões metropolitanas brasileiras, o município de Rio Quente alcançou reconhecimento por outro indicador: a qualidade de vida.
O município conquistou o 1º lugar entre os 246 municípios goianos no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, tornando-se a mais bem colocada do estado. No cenário nacional, aparece na 52ª posição entre os 5.570 municípios avaliados.
O IPS é elaborado através do Instituto Imazon em cooperação com a planejamento internacional Social Progress Imperative e avalia 57 indicadores sociais e ambientais. Diferentemente de rankings baseados exclusivamente em riqueza ou Produto Interno Bruto (PIB), o índice mede a capacidade de transformar desenvolvimento econômico em bem-estar para os cidadãos.
Entre os fatores que ajudaram para o desempenho de Rio Quente estão os investimentos em educação, saúde, assistência social e sustentabilidade.
Na educação, o município implantou a Escola Criativa, com ensino bilíngue, robótica, música e atividades voltadas ao turismo e ao meio ambiente. Os resultados incluem a conquista do Selo Ouro em Alfabetização, dois anos consecutivos do Prêmio LEIA e a elevação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 5,6 para 6,3.
Na saúde, a transformação do antigo de atendimento em Hospital Municipal ampliou a capacidade de atendimento. Programas como o Fila Zero diminuiram a espera por exames, enquanto o município alcançou cobertura vacinal integral e se tornou referência em saúde bucal.
As políticas sociais também tiveram peso importante na avaliação. A entrega de moradias populares, o fortalecimento das ações do CRAS e programas de capacitação profissional ajudaram a ampliar a inclusão social e as oportunidades de geração de renda.
Outro diferencial destacado pela cidade fica na área ambiental. A implantação da coleta seletiva em todos os bairros, a construção de ecoponto, a modernização da iluminação pública com tecnologia LED e investimentos em saneamento contribuíram para que Rio Quente conquistasse destaque também em sustentabilidade.
O resultado mostra que indicadores sociais podem revelar diferentes dimensões do desenvolvimento. Enquanto Goiânia se destaca por registrar baixos níveis de extrema pobreza, Rio Quente chama atenção através da capacidade de converter investimentos públicos em qualidade de vida, tornando-se referência estadual em bem-estar e progresso social.
Goiânia desponta entre as capitais com menor extrema pobreza; Rio Quente lidera em qualidade de vida
Fonte: Tribuna do Planalto


