Depois de aprovação unânime do projeto que revoga cobrança, apoiadores do prefeito sinalizam manutenção da taxa e expõem contradição política na Câmara de Goiânia
A base do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) na Câmara Municipal de Goiânia deu indicações claros de que pretende manter a Taxa do Lixo em vigor, mesmo depois de ter votado unanimemente através da sua revogação existe poucos meses. O movimento expõe uma mudança de postura dos vereadores governistas e levanta indagações sobre a coerência do discurso adotado através do grupo político desde o começo da gestão.
Na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realizada nesta semana, vereadores apoiadores do Paço Municipal apresentaram pedido de vista e adiaram a análise do veto de Mabel ao projeto que extingue a Taxa de Limpeza Pública (TLP). Nos bastidores, a avaliação é de que o adiamento serviu para construir um ambiente favorável à manutenção do veto e, consequentemente, da cobrança.
A situação chama atenção porque o mesmo projeto, de autoria do vereador Lucas Vergílio (MDB), foi aprovado por unanimidade no mês de dezembro de 2025. Na ocasião, todos os parlamentares da base governista votaram favoravelmente à proposta, transmitindo à população a mensagem de que a taxa poderia ser encerrada.
Para tornar viável a aprovação, os vereadores incluíram uma emenda que condicionava a revogação da cobrança à realização de estudos técnicos e à apresentação de medidas compensatórias através da Secretaria Municipal da Fazenda. A modificação foi interpretada como uma solução intermediária, capaz de atender às exigências da gestão sem ignorar a forte rejeição popular à taxa.
Mesmo com essa salvaguarda inserida no texto, Sandro Mabel decidiu vetar integralmente o projeto no mês de janeiro. Agora, os mesmos vereadores que apoiaram a proposta passam a sinalizar apoio à manutenção do veto, reforçando a percepção de que a votação realizada no final do ano passado teve mais caráter político do que efetiva intenção de extinguir a cobrança.
A mudança de posição também gera desgaste para a relação entre Executivo e Legislativo. Afinal, se a revogação era inviável do ponto de vista financeiro, por que o foi aprovado projeto por unanimidade? E se a emenda já condicionava qualquer extinção da taxa à análise técnica da Prefeitura, qual a necessidade do veto total?
Na prática, a movimentação deixa o contribuinte diante de um cenário de falta de segurança e descontentamento. A promessa de rever uma cobrança amplamente criticada através da população vai sendo substituída por sucessivos adiamentos e manobras regimentais, enquanto a Taxa do Lixo continua sendo cobrada normalmente dos goianienses.
O episódio reforça uma crítica recorrente à atual gestão: o descompasso entre o discurso político e as decisões efetivamente adotadas quando chega o momento de assumir os custos administrativos e financeiros das promessas feitas à população.
Mabel preserva Taxa do Lixo e base abandona promessa feita aos goianienses
Fonte: Jornal Horaextra



