A chegada dos cães de assistência crianças autistas transformou a manhã de quinta-feira (30) no Centro Estadual de Atenção Prolongada e Casa de Apoio Condomínio Caridade (CEAP-SOL), em Goiânia. Em alusão ao Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a unidade do Governo de Goiás recebeu os animais do Centro Universal de Referência em Assistência Animal (CURAA) para uma sessão especial de pet terapia. O resultado foi uma combinação de abraços apertados, sorrisos espontâneos e momentos de puro carinho.
A atividade juntou crianças atendidas através do serviço especializado da unidade, que atualmente acompanha 22 pacientes com TEA. Conforme a diretora técnica do CEAP-SOL, Vivian Roubado, a interação com esses animais melhora a comunicação verbal e não verbal, auxilia na socialização, no desenvolvimento motor e ainda diminui o estresse e as crises de ansiedade. “Esses animais oferecem acolhimento, afeto e ajudam a criança a se sentir mais segura emocionalmente”, explica. Não é por acaso que os cães de assistência crianças autistas no CEAP-SOL têm se tornado apoiadores cada dia mais presentes no tratamento multidisciplinar da unidade.
O impacto positivo também é celebrado pelas famílias. A aposentada Marisa Helena de Andrade acompanha de perto a evolução da neta Sophia, de 6 anos. “Quando ela chegou aqui, praticamente não falava nada. Hoje já consegue se comunicar melhor, tem um vocabulário maior e entende muitas palavras”, conta. Mãe dos gêmeos Pedro Eduardo e Maria Clara, de 9 anos, Ana Cecília Nunes Guimarães também relata mudanças significativas. “A Maria Clara era muito restrita antes de vir para cá. Hoje ela já interage mais. O Pedro também melhorou muito na comunicação e nas atividades da escola”, afirma. Durante a atividade, Pedro demonstrou empolgação ao interagir com uma das cachorrinhas. “Ela está tão fofinha”, falou, sorrindo enquanto acariciava o animal.
Elaine Bezerra, presidente e fundadora do CURAA, explica que esses animais passam por um treinamento especializado desde os primeiros meses de vida. “O cão ajuda na autorregulação, promove bem-estar e consegue até evitar algumas crises. Muitas crianças passam a frequentar ambientes onde antes não conseguiam permanecer”, afirma. Elaine destaca ainda que o trabalho desenvolvido através da instituição vai além do treinamento técnico. “O autista deixa de se sentir invisível. O cão cria conexões, aproxima as pessoas e proporciona acolhimento. É uma transformação perceptível para toda a família”, completa.
A dona de casa Cynthia do Amaral Silva, que veio de Itumbiara (GO) particularmente para o acompanhamento dos filhos Esther Emanuelly, de 7 anos, e Matheus Fellype, de 4 anos, também celebra os resultados. “A Esther não conversava e, depois do acompanhamento com a fonoaudióloga, evoluiu muito. O Matheus também melhorou bastante. Hoje ele fala super bem”, conta emocionada. Mais do que uma simples atividade recreativa, a ação exibiu como pequenos gestos de afeto podem abrir caminhos para a comunicação, fortificar vínculos e tornar o processo terapêutico mais leve e acolhedor para crianças e famílias que convivem todos os dias com o autismo.
Cães de assistência transformam tratamento de crianças autistas
Fonte: Tribuna do Planalto



