O presidente do PRD em Goiás, Wellington Peixoto, afirma que, apesar de perdas recentes em Goiânia, o partido saiu fortalecido das últimas eleições e ampliou sua presença no cenário estadual. Em entrevista, ele destaca o crescimento da sigla na Assembleia Legislativa, onde passou a contar com uma das maiores bancadas, e projeta novos avanços nas eleições de 2026. Peixoto atribui a saída de chefias como Romário Policarpo e Bruno Peixoto a movimentos de “sobrevivência política”, diante das dificuldades de composição de chapas competitivas. Ainda assim, reforça que o partido preserva musculatura e capacidade de articulação, inclusive depois de a formação da federação com o Bondade. No cenário eleitoral, o dirigente defende que o PRD deve priorizar a construção de chapas fortes para deputado estadual e federal, apostando em nomes como Lucas Calil para puxar votos. Ele avalia que a legenda pode conquistar até duas cadeiras na Câmara dos Deputados, dependendo do desempenho coletivo. Ao tratar da disputa majoritária, Wellington é enfático ao declarar apoio “incondicional” ao vice-governador Daniel Vilela (MDB) e descarta qualquer projeto alternativo dentro do partido. Segundo ele, a prioridade é contribuir para a vitória do apoiador já no primeiro turno. A discussão sobre a vice-governadoria também ganha destaque. Para Peixoto, o critério principal deve ser a capacidade eleitoral, e, neste contexto, ele aponta o deputado Bruno Peixoto como o nome mais competitivo para compor a chapa, além de citar Gustavo Mendanha como outra possibilidade. O presidente do PRD também comenta a relação com a base governista, defende espaço político para o partido e avalia a gestão do prefeito Sandro Mabel, que, segundo ele, começa a apresentar resultados depois de um começo turbulento. A entrevista evidencia um partido em movimento, que procura consolidar espaço, ampliar alianças e se posicionar como peça relevante no tabuleiro político goiano.
Em 2024, o PRD saiu fortalecido das eleições do município, com eleição de três vereadores na capital, incluindo o presidente da Câmara, vereador Romário Policarpo, que deixou o partido. O partido encolheu?
Em relação a Goiânia, sim, mas em relação ao estado, cresceu para oito deputados estaduais, uma das maiores bancadas na Assembleia Legislativo, apresentando que é um partido que tem preocupação em crescer, e com a federação se fortaleceu mais ainda. E hoje Lucas Calil é um grande nome para ser deputado federal também. Em relação ao Estado cresceu bastante.
A ida de Policarpo para a federação Cidadania-PSDB foi lida como um movimento natural de busca por espaço. O senhor acredita que ele terá mais oxigênio político lá do que teria no PRD para o seu projeto de 2026?
Não foi nem por busca de espaço; foi através da sobrevivência da candidatura, porque ele tentou de todas os caminhos um partido da base. Ia ficar no PRD, mas Bruno (Peixoto), que até então era presidente da federação, tinha feito comprometimento com os deputados estaduais de fazer uma chapa competitiva para os deputados estaduais. Para o Policarpo, sem mandato de deputado estadual, ficou difícil. Ele tentou ir para o Mobiliza, para o Democratas, para o DC, tentou formar uma chapa no Avante, mas infelizmente não deu. O governador tentou amparar, mas quando falava o nome do Policarpo, as chapas acabavam. Foi assim no DC: quando o pessoal descobriu que havia alguns nomes fortes, eles foram para outro lado e montaram um grupo (com candidatos com) máximo de 20 mil votos, e eles acreditam que o Policarpo tenha mais de 30 mil votos. Ficou difícil para ele entrar no partido. A escolha do PSDB/Cidadania foi de última hora, eu tava junto com ele na sexta, no sábado e no domingo, foi um momento de sobrevivência. No sábado, 9 horas, 10 horas noturna que ele se filiou.
O suporte dele agora é do Marconi Perillo (PSDB)?
Tem que ser.
Sem Policarpo, quem passa a ser o principal puxador de votos da federação na chapa estadual?
Eu acredito no Wagner Neto (SD), que é um grande puxador de votos. Eu acredito que a federação possa fazer seis deputados: Júlio Pina, Cristiano Galindo, Alessandro Moreira, Coronel Adailton, Cristóvão Tormim e Anderson Teodoro. Desses, é difícil falar, mas para mim o que mais destaca é o Wagner Neto. Os outros estão na disputa em igualdade.
E para deputado federal, qual a expectativa?
A chapa hoje pode fazer dois, mas depende do desempenho dos demais. Para mim, o puxador de voto é o Lucas Calil, e a chapa tem o Pedro Canedo, que foi várias vezes deputado federal; Bill Guerra, que foi vereador por Goiânia; Gabriela Rodarte, também foi vereadora por Goiânia; a doutora Cristina Lopes, foi vereadora também; Denes Pereira; JP, que foi uma indicação do Mendanha, também vai disputar federal; e tem outros nomes. Eu vejo que a chapa fica bastante competitiva também para federal, e pode vir a fazer a segunda vaga através do coeficiente 80/20 (Apenas partidos e candidaturas que chegarem a, no mínimo, 80% do quociente eleitoral podem fazer parte da disputa por cadeiras restantes).
Gustavo Mendanha afirmou ter retornado ao PRD para manter-se na base do Daniel Vilela (MDB), para ser candidato ao Senado. Como avalia a possibilidade de ele ser candidato ao Senado através do PRD?
O PRD tem autonomia de escolher, tem total autonomia. Gustavo vai ser o presidente da federação, Jorcelino Braga, principalmente, gosta muito do Mendanha. Eu liguei para ele no dia em que ele foi regressar ao PRD e, assim, as portas estão abertas para ele, naquilo que ele pretender.
Ele é um bom nome para vice também, deputado, Senado, Gustavo Mendanha pode realmente escolher aquilo que ele pretende.
Lançar Gustavo Mendanha ao Governo de Goiás é um plano que fica na mesa? Houve fala do vereador Tião Peixoto neste sentido?
Não, eu sou 100% Daniel. Se ele se candidatar, mesmo assim eu apoio Daniel. Eu já declarei isso, meu apoio é incondicional ao Daniel Vilela.
Mas essa possibilidade fica na mesa?
Não, eu espero que não. Quando ele foi para o PRD, não disse em ser candidato ao governo. Eu acredito que ele queira ser visto e foi com a intenção da vice.
Gustavo Mendanha já adiantou que não disputa a eleição para deputado federal e também não será candidato ao Senado em um cenário de candidaturas múltiplas. Se ele não conseguir a vice, qual o cargo que poderia disputar?
Aí é apoiar o Daniel, fazer uma chapa para que Daniel possa vencer no primeiro turno. Sem disputar, ele pode amparar a chapa federal, a estadual, e juntar o partido com o Daniel.
O PRD pode lançar algum candidato ao Senado?
Não tem essa discussão, mas nada é impossível. Por que não? Nós não perdemos. E o Bondade é um partido que é forte hoje, é um dos maiores, como eu falou. Tem nomes competitivos, então, ótimo, mas ainda não entrou nesta discussão, não tem essa pauta ainda.
Em relação à saída de Bruno Peixoto (UB) do PRD, como Paulinho da Força (SD) recebeu a mudança?
Ele ficou muito decepcionado, todos ficaram. O Bruno ficou muito triste também. Por mais que dependia da vontade dele, mas o governador (Daniel Vilela) ligou, Ronaldo Caiado ligou, porque se Bruno não fosse para o UB, Daniel poderia perder o partido. O União Brasil, com tempo de televisão, estrutura e fundo partidário, tanto poderia ir para o PSDB como também para o PL. Foi uma questão de sobrevivência também. Da mesma forma, o Policarpo, que foi para o outro lado por sobrevivência política. Bruno precisou também fazer uma escolha.
A presidência do União Brasil fica garantida para Bruno Peixoto?
Sim. Esse é um comprometimento do presidente Antônio Rueda.
Qual é o impacto da saída do Bruno Peixoto para a Federação PRD-Bondade, julgando que ele era o grande nome da federação?
Com o Bruno, eram três deputados federais garantidos. Hoje, tem garantido uma e podemos fazer duas. É diferente, perfeitamente.
Bruno seria um bom candidato a vice e ele teria interesse na vaga?
Ele fala que não, mas Bruno é muito de grupo, de projeto político. Para mim, não é porque ele é meu irmão, não tem um nome melhor do que o Bruno. Ele é o número um para deputado federal, tem uma base muito consolidada, muito forte e para mim hoje não existe nome melhor.
Não tem nome que agrega eleitoralmente para o Daniel, a não ser o Bruno.
Daniel busca no vice agregar alguns setores em especial, o agro e o segmento evangélico. Bruno atende a esse critério?
No interior, o Bruno fica muito forte, claro que o agro não é a bandeira do Bruno, que é católico, mas ele tem muitos pastores que o apoiam. Luiz do Carmo tem um segmento evangélico só, e isso cria uma inimizade com as outras agregações evangélicas. É melindroso. Caiado é do agro; Daniel não precisa de um representante do agro na vice. Caiado representa muito bem o agro.
A candidatura de Daniel precisa de qual perfil de vice?
Para mim, ele não precisa de segmento, ele precisa de voto. Para mim, hoje, primeiro, Bruno, e segundo, Gustavo Mendanha, quem mais agrega eleitoralmente. Depois vem os outros nomes.
Seu pai é filiado ao PSDB, que tem o ex-governador como candidato ao governo. Existe oportunidades de a federação apoiar um projeto de oposição?
Hoje não. O Jorcelino Braga gosta muito do Daniel e eu perguntei para ele, no momento em que o Bruno saiu e eu permaneci na presidência: “Braga, nós vamos continuar na base?” Ele disse assim: “sim”. A política é muito dinâmica, mas eu acredito que o objetivo hoje é continuar na base.
Esse também é o sentimento do Bondade ou existe possibilidade de divisão na Federação em relação ao apoio a Daniel ou à oposição?
Não, não existe. Hoje não existe.
O que poderia provocar uma mudança de rumo?
Política é feita de espaço, de comprometimento. Se o Daniel, o governo não pretender por perto o PRD, é natural que ele busque alguém que lhe dê uma oportunidade para crescer ainda mais. Isso aí é natural. O governo tem que apresentar que o PRD é importante para ele.
E como seria essa apresentação?
Fazendo comprometimento, se não for um comprometimento agora, um comprometimento futuro, de que o partido vai amparar a administrar. A sobrevivência de um partido é essa, estar junto com o governo, crescer junto com o governo. Se o tratamento for igualitário, não tem porque não caminhar junto.
O senhor hoje conta com quadros da sua confiança na prefeitura, como o secretário Juliano Santana, que comanda a Secretaria de Habitação. Como o senhor avalia a gestão do prefeito Sandro Mabel até aqui? Ele tem atendido às expectativas?
Eu acredito que Mabel fica fazendo uma boa gestão.Ele fica mudando, porque no começo foi turbulento, teve algumas patinadas e é natural isso, no primeiro ano. Mas agora fica engrenando, o município fica iniciando a ver as obras, as pavimentações. Ele fica dando uma cara nova à cidade de Goiânia e nós estamos auxiliando na regularização. Ele fica desejando bater o recorde de entrega, de regularização. Mais de mil escrituras já foram entregues e vai fazer a contratação de uma empresa agora, por intermédio de licitação, para realmente entregar mais de 10 mil estruturas ainda esse ano. O Sandro fica preocupado não só com a estrutura básica, com asfalto, com a pavimentação, mas fica preocupado em dar mais dignidade para as pessoas, entregar de fato a documentação, tem pessoas esperando a documentação existe mais de 30 anos. Sandro fica no caminho certo.
O senhor deve disputar a eleição para deputado?
Não, estadual de maneira alguma, por motivo do comprometimento que eu tenho com o Policarpo. Sou diretor da Câmara existe sete anos, praticamente, e não seria leal com o Policarpo se eu me candidatasse. Se o Bruno for vice, aí sim eu sairia para federal.
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“Bruno é nome número um para vice, porque vice precisa ter voto, não segmento”
Fonte: Tribuna do Planalto



