Um serviço que procura o atendimento integral e coloca a mulher, o bebê e a família no centro do processo de nascimento, com respeito à fisiologia do parto, às evidências científicas, aos direitos da gestante e à segurança clínica. Esse é o foco do modelo de parto humanizado adotado através do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), que vem se consolidando como um dos pilares da assistência materno-infantil na rede pública de Goiânia.
A operadora de caixa Maria de Fátima Dilva dos Santos, de 26 anos, deu à luz o segundo filho, Aldair José, às 7 horas do último dia 3. Ela desenvolveu diabetes gestacional no começo da gravidez e foi orientada diretamente ao HMMCC, onde fez todo o pré-natal. Devico à complicação, os médicos optaram por fazer a indução do parto quando ela completou 37 semanas. “Tive um acompanhamento muito bom, com muita atenção, que realmente faz diferença”, contou.
Ana Luísa Martins Coutinho também deu à luz na Maternidade Célia Câmara na última semana. O filho João Lucca nasceu às 4h23 do último dia 4. Mãe e filho passam bem.
Ambiente
Conforme o médico obstetra e diretor técnico da maternidade, Rafael Mazon, o fortalecimento do parto humanizado surgiu da necessidade de instruir a assistência obstétrica no Sistema Único de Saúde (SUS). “O parto humanizado é um modelo de cuidado que coloca a mulher como protagonista. Nosso objetivo é oferecer uma experiência segura, ética e centrada na mulher e na família”, afirma o diretor.
A maternidade conta com um Centro de Parto Normal estruturado no modelo PPP (Pré-parto, Parto e Pós-parto imediato), permitindo que a gestante permaneça no mesmo ambiente durante todas as fases do trabalho de parto, sem necessidade de deslocamentos entre setores. Atualmente, a unidade dispõe de cinco leitos PPP, projetados para preservar conforto, privacidade e continuidade do cuidado. O ambiente favorece o vínculo, diminui a ansiedade e proporciona uma experiência mais tranquila para a mulher e seus familiares.
As salas de parto humanizado oferecem estrutura planejada para assegurar conforto físico, emocional e autonomia durante todo o processo de nascimento. Os leitos no modelo PPP contam com banheira, que auxilia no alívio da dor e promove relaxamento, além da possibilidade de banho morno e uso do chuveiro como métodos não farmacológicos. A gestante poderá também usar a bola suíça, que estimula a mobilidade pélvica e favorece posições verticais, contribuindo para a evolução do trabalho de parto.
Existe liberdade de movimento e de escolha da posição mais confortável, iluminação ajustável para tornar o ambiente mais acolhedor e espaços individualizados que preservam a privacidade. Durante todo o processo, é garantida a presença contínua de acompanhante de livre escolha, além do apoio integral do grupo multiprofissional, que age com comunicação empática, escuta ativa e suporte técnico capacitado.
Atendimento
A direção ressalta que o parto humanizado não se limita ao parto normal. O conceito fica relacionado ao modelo de assistência adotado, que prioriza acolhimento, respeito às escolhas da mulher, informação clara e segurança baseada em evidências científicas, independentemente da via de nascimento. Nos casos em que existe indicação clínica para cesariana ou quando essa é a escolha informada da gestante, a maternidade também assegura atendimento humanizado, com presença de acompanhante, comunicação transparente e atuação integrada do grupo. Sempre que as condições clínicas permitem, são estimuladas práticas como o contato pele a pele imediato e o começo precoce da amamentação.
A segurança assistencial se mantém como prioridade. Existe monitorização materna e fetal contínua, protocolos baseados em evidências e estrutura hospitalar preparada para intervenções imediatas, quando necessárias. “Humanizar não significa abrir mão da segurança. Pelo contrário: significa oferecer cuidado técnico qualificado, com respeito às escolhas da mulher e pronta resposta a qualquer intercorrência”, reforça Rafael Mazon.
O diretor técnico explica que, no modelo adotado através da unidade, a mulher participa de forma ativa das decisões sobre seu parto. “O consentimento informado, o respeito ao plano de parto e a liberdade de posição garantem autonomia e protagonismo. A equipe atua como suporte técnico e emocional, assegurando informação clara e apoio contínuo”, esclarece Mazon.
A assistência é realizada por equipe multiprofissional estabelecida por enfermeiras obstétricas, médicos, técnicos de enfermagem e demais profissionais capacitados. Enfermeiras obstétricas acompanham partos de risco habitual, enquanto médicos atuam sempre que existe indicação clínica. A capacitação é contínua, baseada em protocolos atualizados, evidências científicas e práticas de comunicação
Parto humanizado valoriza papel da mulher em maternidade pública de Goiânia
Fonte: Tribuna do Planalto



