Enfim chegou 2026, ano eleitoral que promete marcar uma inflexão importante na política goiana. O estado entra no último ano do segundo mandato do governador Ronaldo Caiado, encerrando um ciclo que, independentemente das disputas ideológicas, consolidou um padrão elevado de aprovação popular. Caiado venceu duas eleições consecutivas no primeiro turno e, existe por volta de cinco anos, figura de forma recorrente como o governador mais bem avaliado do Brasil — um feito raro em tempos de instabilidade política e desgaste institucional.
No plano nacional, Caiado ensaia uma candidatura à Presidência da República, movimento que dialoga com setores do centro e da direita que procuram uma alternativa fora dos polos tradicionais. Ainda assim, existe quem aposte que o destino político mais provável do governador seja uma candidatura ao Senado, onde sua experiência e capilaridade política teriam grande peso.
Independentemente do caminho que Caiado escolher, o governador já deixou claro quem será seu sucessor natural: o vice-governador Daniel Vilela. Jovem, presidente estadual do MDB e herdeiro político de Maguito Vilela, Daniel reúne atributos relevantes para a disputa. Com experiência como deputado federal e atualmente vice-governador, ele lidera um partido historicamente estruturado, com profundas raízes em Goiás e forte presença municipal.
A disputa através da vaga de vice na chapa de Daniel Vilela continua intensa. Nomes como José Mário Schreiner, presidente da FAEG, Leda Borges, Eurípedes do Carmo e Bruno Rocha Lima — este último destacado como o favorito do governador — circulam com frequência nos bastidores. Daniel precisará herdar uma base robusta, com maioria expressiva de deputados estaduais, prefeitos, vereadores e chefias regionais. Soma-se a isso a possibilidade de uma aliança com o PL: parte do partido bolsonarista defende esse arranjo em Goiás como peça estratégica de um projeto nacional da direita.
No campo da oposição, Marconi Perillo continua como o principal chefe. Ex-governador por quatro mandatos, Marconi foi decisivo para a eleição de Alcides Rodrigues e construiu uma trajetória marcada por forte capacidade administrativa e articulação política. Ainda hoje, é lembrado como gestor experiente e estrategista nato. Nos últimos meses, tem buscado apoio entre setores do chamado “irismo” e chefias que não ocupam espaço no atual governo estadual.
Entretanto, Marconi carrega desgastes acumulados no decorrer dos últimos anos. A crise de confiança que atingiu a política tradicional no pós-Operação Lava Jato afetou praticamente todos os grandes nomes do momento, e ele não foi exceção. Seu principal desafio será montar uma chapa competitiva, capaz de defender tempo de televisão, musculatura partidária e presença efetiva nos municípios goianos.
Outro ator relevante no tabuleiro é Wilder Morais. Empresário e senador, Wilder se associou fortemente ao bolsonarismo e protagonizou uma das maiores surpresas eleitorais de 2022, ao derrotar nomes considerados favoritos, como Delegado Waldir e o próprio Marconi Perillo, na disputa através do Senado. O PL, partido de Wilder, mira de novo as eleições senatoriais em 2026, o que pode abrir espaço para negociações amplas com outras siglas. Wilder inicia o ano como pré-candidato ao governo, mas seu projeto dependerá das configurações do país e da capacidade de o bolsonarismo manter força e coesão eleitoral.
No campo governista federal, os partidos da aliança do presidente Lula em Goiás ainda buscam uma equação viável. O processo de construção da chapa tem sido liderado através da deputada federal e presidente estadual do PT, Adriana Accorsi. Entre os nomes ventilados estão o ex-governador José Eliton e o ex-reitor da UFG, professor Edward Madureira, além de outras chefias. O PT goiano preserva foco prioritário na formação de uma chapa competitiva para deputado federal e estadual, mas reconhece que oferecer um palanque forte para o presidente Lula no estado é uma obrigação política e estratégica. Historicamente, o desempenho do PT em Goiás fica aquém da votação obtida por Lula, que costuma ter mais votos do que os candidatos petistas ao governo estadual.
Por final, cresce na sociedade um sentimento de esgotamento da polarização radical que marcou o Brasil nos últimos anos. O eleitorado demonstra indícios claros de cansaço diante do discurso do confronto permanente. Muitos dos que surfaram na onda do extremismo iniciam a perder espaço, enquanto ganha força a valorização de projetos consistentes, modelos de gestão eficientes, planejamento e ações concretas que impactem positivamente a vida das pessoas. Em 2026, mais do que slogans ou rótulos ideológicos, Goiás parece disposto a escolher caminhos baseados em propostas, resultados e capacidade real de governar.
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Goiás em 2026: sucessão, oposição e o final do ciclo da política de extremos
Fonte: Tribuna do Planalto



