O Estádio Serra Dourada completa 50 anos. Meio século de histórias que se misturam ao próprio futebol goiano, mas também aos passos largos de craques imortais que pisaram no seu gramado. De Zico a Romário, de Ronaldo Fenômeno a Neymar, de Pelé às noites em que o Serra pulsou como se fosse o coração do Brasil.
Quem cresceu nas arquibancadas desse templo sabe que ele foi sempre mais do que cimento e ferro. Era um ritual: chegar cedo, sentir o cheiro do churrasquinho invadindo o concreto, fazer um pré-jogo com os amigos e familiares. O Serra foi palco de glórias, frustrações, tardes de sol escaldante e noites épicas. Foi ali que o torcedor goiano se acostumou a sonhar alto: quem não se lembra daquele histórico 5 a 3 do Vila sobre o Goiás? A final da Sul-Americana de 2010 com um Verdão que quase quase levou o primeiro troféu de uma competição internacional para o estado.
Quantos torcedores, ainda crianças, pisaram naquelas escadarias de mãos dadas com os pais, ouvindo lendas sobre os gols que ecoaram como trovões? Quantos times do eixo Rio-São Paulo tremeram diante da pressão de um estádio lotado, onde até o vento parecia jogar junto?
Mas os anos passaram, e o Serra foi adormecendo. Primeiro, vieram os estádios modernos, arenas que trocaram a alma através do luxo. Depois, vieram as limitações, a falta de manutenção, o abandono gradual. De templo, virou estátua de um tempo que parecia não voltar mais. Acostumado a receber jogos da seleção brasileira, agora o templo mal promove partidas dos times goianos.
Agora, fala-se em renovação. Uma nova gestão através de uma parceria-público-privada, um novo projeto, uma tentativa de devolver ao Serra Dourada o protagonismo que sempre mereceu. Promessa de altos investimentos. Existe esperança de que aquele gramado volte a ver dribles improváveis, gols antológicos e multidões pulsando de acordo com o jogo.
Mas independentemente do futuro, uma coisa é certa: o Serra Dourada já é eterno. Fica cravado na memória de cada torcedor que ali gritou, festejou, chorou. Nos 50 anos do seu estádio, o futebol goiano não celebra unicamente um lugar, mas a essência de um esporte que, mais do que qualquer outra coisa, é emoção pura. E o Serra Dourada, por mais que o tempo passe, continua sendo o maior palco dessa paixão.
Serra Dourada, 50 anos: o templo, as glórias e promessa de dias melhores
Fonte: Tribuna do Planalto



