O atacante Richarlison, do Tottenham, pediu que a Polícia Federal (PF) investigue a disputa através da posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). Em vídeo que foi publicado em redes sociais em 17 de outubro, o jogador acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz, destacado como amigo do parlamentar, de terem se beneficiado da transferência da propriedade. De acordo com o esportista, ele investiu em torno de R$ 10 milhões no imóvel e não recebeu o dinheiro de volta.
“Os caras tomaram a ilha sem gastar um tostão, até onde eu sei”, afirmou Richarlison na gravação. O jogador também criticou decisões judiciais relacionadas ao caso e falou que procura recuperar o valor investido, sem a intenção de retomar a propriedade.
A manifestação levou de novo à tona uma disputa que ganhou repercussão no mês de setembro de 2022, depois de reportagem do portal Metrópoles. Na época, Flávio Bolsonaro foi indicado como testemunha em um processo que envolvia a empresa Sport 70, ligada ao jogador e a seu então empresário Renato Rocha Velasco, e a WT Gestão, vinculada a Willer Tomaz.
Richarlison diz que recusou proposta de Flávio Bolsonaro
De acordo com o relato do atacante, a negociação iniciou entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19. A aquisição dos direitos sobre o imóvel envolveu também Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco.
Richarlison afirmou que recebeu propostas de interessados em comprar a propriedade, mas decidiu não vender. Entre os interessados, segundo o jogador, estava Flávio Bolsonaro, que teria visitado a área e registrado imagens aéreas da ilha com um drone.
“Eu não quis vender a ilha para ele”, declarou o atacante. Na versão apresentada por Richarlison, a posse acabou transferida subsequentemente para uma empresa ligada a Tomaz, apesar de o grupo do jogador contestar a operação.
O esportista também perguntou a rapidez da transferência. Segundo ele, enquanto enfrentava dificuldades para regularizar a documentação, a posse teria sido concedida à outra parte em um intervalo muito menor.
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Disputa judicial envolveu empresas ligadas ao jogador e ao advogado
A mansão fica na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, e foi avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões. Conforme reportagem do Metrópoles publicada em 2022, o imóvel tem 11 suítes, praia privativa, cachoeira, piscina, quadra de tênis e heliponto.
No mês de maio de 2022, uma decisão liminar transferiu a posse da propriedade para a empresa ligada a Willer Tomaz. A Sport 70 contestou a medida e conseguiu uma decisão favorável em plantão judicial, mas a posse voltou para a empresa do advogado depois de recurso à segunda instância.
À época, Tomaz sustentou que a aquisição tinha respaldo documental. Ele afirmou que sua empresa assumiu em torno de R$ 2 milhões em pendências fiscais e administrativas relacionadas à antiga detentora dos direitos sobre o imóvel, a M Locadora. O advogado também negou que tivesse conhecido a propriedade por intermédio de Flávio Bolsonaro.
No mês de junho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento favorável à empresa ligada a Tomaz. Segundo relatos publicados sobre o caso, a disputa judicial foi encerrada depois de a desistência dos autores das ações.
Flávio Bolsonaro foi indicado como testemunha no processo, mas não figurou como parte diretamente envolvida na ação judicial que discutiu a posse da mansão.
Jogador promete doar parte do dinheiro recuperado
Neste vídeo, Richarlison afirmou que não pretende retomar a ilha, mas deseja recuperar o valor que diz ter investido. O atacante também declarou que, caso consiga reaver o dinheiro, pretende destinar parte dos recursos ao hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.
A manifestação do jogador não altera, por si só, o resultado da disputa judicial já encerrada. Até o momento, as acusações apresentadas no vídeo precisam ser cuidadas como a versão de Richarlison, e não como comprovação de não conformidade criminal.
Willer Tomaz afirmou anteriormente que a aquisição foi regular e respaldada por documentos públicos. A assessoria de Flávio Bolsonaro declarou, em manifestações divulgadas sobre o caso, que o senador não tinha vínculo com a propriedade. Não existe, nas informações consultadas, confirmação de que a PF tenha aberto uma investigação com início do pedido feito através do jogador.
Richarlison pede investigação da PF sobre disputa por mansão ligada a Flávio Bolsonaro em Angra
Fonte: Tribuna do Planalto



