O PSDB nasceu em 1988 sob uma ideia simples e, ao mesmo tempo, ambiciosa: modernizar a política brasileira, amplificar a democracia e construir um Estado capaz de promover desenvolvimento e justiça social.
Sua tradição sempre procurou conciliar proteção aos mais vulneráveis com estímulo a quem produz, trabalha, empreende e gera riqueza. Um Estado eficaz, responsável nas contas públicas e capaz de transformar arrecadação em serviços e oportunidades. Como dizia seu manifesto fundador, estar “longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas”.
Essa concepção amparou a formar uma geração de políticos, gestores e pensadores que marcou a democracia brasileira.
E talvez seja justamente por isso que o papel do PSDB em 2026 seja maior do que o tamanho de suas bancadas ou o resultado de uma eleição.
Existe algo simbólico ocorrendo.
Lula, adversário histórico dos tucanos, hoje governa o país ao lado de Geraldo Alckmin, um dos fundadores do PSDB e ex-governador de São Paulo. Em um domingo, 23 de agosto, Lula explicou sentir saudades das antigas disputas eleitorais e citou FHC, José Serra e Alckmin como adversários de um momento em que, segundo ele, havia maior qualidade no debate político.
Em Goiás, o movimento é igualmente interessante.
Ronaldo Caiado foi, durante décadas, adversário dos governos tucanos. Hoje, ainda assim, na construção de sua candidatura presidencial, recorre a nomes que carregam forte formação no campo político do PSDB.Armínio Fraga, presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, tornou-se uma das principais referências de Caiado para a área econômica.
Na mobilização política, Caiado escolheu o deputado federal Arnaldo Jardim, do Cidadania, partido federado ao PSDB, para coordenar a articulação nacional de sua campanha. Jardim tem trajetória ligada ao campo tucano e foi secretário no governo Geraldo Alckmin em São Paulo.
Não se trata de dizer que Caiado e o PSDB estejam juntos eleitoralmente. Não estão.
O ponto é outro: um antigo adversário do tucanato reconhece, na prática, o valor de sua escola política e de seus quadros.
Isso mostra uma característica que vai além das eleições: partidos formam pessoas. E o PSDB formou uma geração que continua participando da vida pública brasileira, mesmo quando seus integrantes migram para outras legendas.
Esse reconhecimento, vindo de adversários históricos, necessitaria provocar uma reflexão dentro do próprio partido.
Nos últimos anos, a política brasileira tornou-se mais radical, agressiva e, muitas vezes, contaminada através da mentira. As redes sociais premiaram o conflito, a provocação e o engajamento instantâneo. O debate de ideias perdeu espaço para a disputa de narrativas.
E o PSDB, justamente quando o país mais precisava de uma alternativa democrática, moderada e capaz de combinar desenvolvimento com responsabilidade social, perdeu presença nos grandes debates do país.
Não é plausível atribuir ao partido toda a responsabilidade através da radicalização da política brasileira. Mas sua ausência abriu espaço.
É hora de ocupar esse espaço de novo.
O PSDB foi atacado, confrontou crises, perdeu eleições e viu muitos de seus quadros migrarem para outras legendas. Mas sobreviveu. Fica vivo e apresenta candidaturas consistentes em Goiás e em outras partes do Brasil.
Agora precisa fazer as pazes com seus eleitores.
Não somente olhando para o passado, mas mostrando, com ações e propostas, que ainda é plausível fazer política com ética, decência, lealdade, diálogo e eficiência.
Resgatar a social-democracia não significa voltar ao passado. Significa recuperar uma ideia de futuro: crescimento econômico com inclusão, responsabilidade fiscal com proteção social, liberdade com democracia e governo eficaz a serviço das pessoas.
O Brasil não precisa de mais uma trincheira na guerra entre extremos.
Precisa de uma alternativa que saiba discordar sem odiar, disputar sem destruir e governar sem transformar adversários em inimigos.
Essa pode ser a grande missão do PSDB em 2026.
O partido nasceu para modernizar a democracia brasileira. Talvez seja hora de voltar a fazê-lo.
Porque o povo merece uma política de qualidade — e o PSDB ainda tem muito a contribuir para construí-la.
O papel do PSDB nas eleições de 2026
Fonte: Tribuna do Planalto



