A autarquia marcou o julgamento para 8 de setembro. A acusação aponta que ativos sobreavaliados foram incorporados ao FII Brazil Realty. O colegiado já rejeitou uma proposta conforme de R$ 21,3 milhões.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para 8 de setembro o julgamento do processo sancionador que investiga operações supostamente fraudulentas do Banco Master e da família Vorcaro. O caso envolve a utilização de cotas do fundo de investimento imobiliário (FII) Brazil Realty.
A acusação inclui, além do Banco Master, outros 18 nomes. Dentre eles estão Daniel Vorcaro, a Viking Participações (de propriedade do ex-banqueiro), a Entre Investimentos e Antônio Carlos Freixo Júnior, então diretor responsável através da Entre.
De acordo com a investigação, o grupo montou um plano em que ativos supervalorizados foram incorporados ao portfólio do FII Brazil Realty. Esses ativos foram transformados em cotas negociadas no mercado. Desse modo, o grupo conseguiu converter os valores em dinheiro, enquanto as perdas ficaram com outros fundos de investimento.
A CVM reconheceu um prejuízo feito de R$ 5,8 milhões em fundos que negociaram as cotas. Alguns desses fundos têm regimes próprios de previdência de servidores entre seus cotistas.
Proposta conforme rejeitada
O colegiado da CVM já havia rejeitado, em 2 de julho, uma proposta de termo de comprometimento apresentada por Vorcaro, o Banco Master, a Viking Participações, a Entre Investimentos e Freixo Júnior. O acordo previa o pagamento total de R$ 21,3 milhões para encerrar o processo sem julgamento.
Pesou na decisão o histórico dos acusados. No mês de fevereiro de 2026, Vorcaro foi detido na Operação Compliance Zero. O Banco Master também foi liquidado através do Banco Central no mês de novembro de 2025 por “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Poder de penalização e limitações da CVM
A CVM é o órgão responsável por fiscalizar o mercado de capitais e pode aplicar multas e inabilitações. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado no mês de fevereiro de 2026, o presidente interino da autarquia, João Carlos Uzeda Accioly, afirmou que o órgão já detectava movimentações atípicas do Banco Master desde 2022.
Ele apontou que a falta de pessoal e orçamento, com uma redução de 70% nos valores discricionários desde 2015, limitou a capacidade de ação . A CVM tem três dos cinco cargos de diretoria vagos.
Accioly explicou que existe ao menos 200 processos em análise que podem acarretar punições. Desses, 24 relacionam o Master, o BRB e a gestora de investimentos Reag.
A CVM recebe denúncias sobre irregularidades no mercado de capitais com o auxílio de seu site. Investidores que se sintam prejudicados podem consultar a autarquia sobre os desdobramentos do processo. O julgamento agendado para setembro é público, e seus resultados podem influenciar futuras regulações e a aplicação de penalidades no sistema financeiro.
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Fonte: Tribuna do Planalto


