Mais do que uma disputa entre gestões municipais, a 13ª edição do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora acabou se transformando em uma vitrine nacional de projetos desenvolvidos por cidades goianas em regiões como sustentabilidade, educação, turismo, inclusão social e desburocratização pública. Goiás chegou à etapa nacional da premiação com nove municípios finalistas e uma variedade de iniciativas que revelam um movimento crescente de prefeituras apostando em soluções locais para problemas velhos.
Entre os destaques fica o programa PATA, de Aparecida de Goiânia, que figurou entre os 20 melhores projetos do país na categoria Meio Ambiente e Sustentabilidade. A iniciativa, voltada à castração gratuita de cães e gatos, foi criada para combater o abandono de animais e diminuir impactos na saúde pública, particularmente em regiões urbanas com grande número de animais em situação de rua.
Coordenado através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e idealizado através da primeira-dama Lana Bezerra, o programa ganhou visibilidade nacional ao ampliar sua atuação para além das castrações. Recentemente, o município implantou o Centro de Recuperação PATA, espaço destinado ao acolhimento e recuperação pós-operatória de animais comunitários. O projeto também passou a reconhecer animais atendidos com coleiras refletivas, permitindo monitoramento e aumentando a segurança dos bichos nas ruas.
A proposta chama atenção justamente por unir saúde pública, bem-estar animal e sustentabilidade urbana em uma única política pública. Em um cenário nacional agendado através do crescimento populacional de cães e gatos abandonados, ações desse tipo passaram a ser observadas como alternativas práticas para diminuir doenças, acidentes e maus-tratos.
Outro município goiano que ganhou destaque foi Três Ranchos, finalista nacional na categoria Turismo e Identidade Territorial. Conhecida através do potencial turístico ligado ao Lago Azul, o município apostou na elaboração de um plano estruturado de turismo para amplificar a economia local e valorizar características culturais da cidade.
A proposta apresentada através da prefeitura busca transformar o turismo em uma atividade coordenada e permanente, deixando de depender somente de temporadas e feriados prolongados. A estratégia inclui planejamento territorial, valorização cultural e fortalecimento da identidade local como ferramenta de desenvolvimento econômico.
O reconhecimento nacional reforçou a presença de cidades pequenas no debate sobre inovação em gestão pública. Com pouco mais de três mil habitantes, Três Ranchos conseguiu espaço entre projetos de grandes centros urbanos brasileiros ao apresentar uma política voltada ao aproveitamento sustentável do turismo.
Mas os exemplos goianos vão muito além das duas cidades finalistas de maior repercussão. Em Rio Quente, o destaque veio de uma iniciativa que reorganizou a cadeia da agricultura familiar para preservar que 100% das compras públicas da cidade sejam feitas de produtores locais. A medida fortalece pequenos agricultores, preserva recursos circulando dentro da própria cidade e cria uma relação direta entre produção rural e alimentação pública.
Em Itapuranga, o projeto do cartão Xixá chamou atenção por criar uma ponte entre assistência social e agricultura familiar. A proposta permite que famílias em situação de vulnerabilidade possam comprar diretamente na feira municipal utilizando um cartão social fornecido através da prefeitura. O modelo beneficia simultaneamente produtores rurais e famílias de baixa renda, desenvolvendo a economia local.
Já em Flores de Goiás, a aposta foi no empreendedorismo dentro das escolas rurais. O município implantou atividades práticas envolvendo criação de peixes, galinhas e outros animais, permitindo que estudantes tenham contato direto com processos produtivos ligados ao campo. A iniciativa busca aproximar educação e realidade econômica local, além de incentivar permanência no meio rural.
Na área metropolitana de Goiânia, Trindade apresentou o projeto “Simplifica Trindade”, voltado à redução de burocracias e modernização dos licenciamentos municipais. Entre as medidas implementadas fica o chamado alvará continuado, mecanismo que diminui etapas administrativas para empreendedores e empresas.
A simplificação de processos também aparece como prioridade em Goiânia, finalista na categoria Gestão Inovadora. A capital apresentou iniciativas ligadas à modernização administrativa, eficiência pública e transparência. Embora mais abrangente, o projeto acompanha uma tendência nacional de digitalização de serviços públicos e uso de tecnologia para diminuir custos e acelerar atendimentos.
Em Rio Verde, a chamada “Supersala do Empreendedor” ganhou espaço ao unir atendimento empresarial, suporte técnico e linhas de crédito com juros reduzidos em um mesmo ambiente. O plano é melhorar o acesso de micro e pequenos empreendedores a serviços que antes estavam dispersos em diferentes setores.
Pontalina, por sua vez, levou para a premiação um projeto de inclusão social através do esporte. O “Vôlei de Ponta” utiliza atividades esportivas para integrar crianças e adolescentes, funcionando também como ferramenta de convivência social e incentivo educacional.
Os nove projetos finalistas revelam um retrato diverso das prioridades municipais em Goiás. Ao invés de soluções padronizadas, os municípios apresentaram iniciativas conectadas às próprias realidades locais — do turismo à agricultura familiar, passando através da causa animal, esporte, educação e modernização administrativa.
O volume de participação goiana também chamou atenção nesta edição da premiação nacional. Goiás encerrou o ciclo 2025/2026 como o primeiro colocado da área Centro-Oeste em número de projetos cadastrados e alcançou a nona colocação no ranking nacional. Ao todo, o prêmio recebeu 2.818 iniciativas de 1.934 municípios brasileiros, com 229 projetos chegando à etapa final.
Embora o prêmio tenha como foco o empreendedorismo público, muitos dos projetos mostrados pelas cidades goianas extrapolam o ambiente econômico tradicional. Em comum, as iniciativas buscam resolver problemas cotidianos utilizando estruturas municipais já existentes, produzindo alternativas de baixo custo e impacto direto na população.
A experiência de Goiás na edição deste ano mostra justamente esse movimento: cidades de perfis econômicos e populacionais distintos utilizando criatividade administrativa para confrontar desafios locais e transformar políticas públicas em ferramentas práticas de desenvolvimento social.
Cidades goianas transformam premiação nacional em vitrine de projetos inovadores
Fonte: Tribuna do Planalto



