A Planejamento Mundial da Saúde (OMS) investiga uma rara transmissão de hantavírus a bordo do navio holandês MV Hondius. Até o momento, cinco dos oito casos suspeitos foram confirmados. Três pessoas morreram desde o começo da viagem.
A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, com 174 pessoas a bordo. O cruzeiro percorreu regiões remotas do Atlântico Sul, incluindo Antártica, Geórgia do Sul e Santa Helena. O navio continua agora para as Ilhas Canárias, na Espanha.
Diferentemente do que ocorreu na pandemia de covid-19, especialistas afastam o risco de uma nova crise sanitária global. “Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito, muito diferente”, afirmou a médica Maria Van Kerkhove, da OMS.
Como funciona a infectação
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores selvagens, através da inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais. A infectologista Elba Lemos, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), explica que o vírus não fica associado a ratos urbanos comuns.
A cepa reconhecida no surto é a Andes, descoberta na Argentina e no Chile. Ela tem uma peculiaridade: pode ser transmitida entre humanos em contatos muito próximos, como entre parceiros sexuais ou de paciente para profissional de saúde . Ainda assim, esse tipo de transmissão é considerada excepcional.
A taxa de letalidade do hantavírus preocupa os especialistas. “Entre 100 pessoas que adoecem de dengue, cinco podem evoluir para o óbito. Na hantavirose, pode ser de 20% a 50%”, afirmou Lemos à BBC. De acordo com a Gavi, a Aliança para Vacinas, a taxa para a síndrome pulmonar causada através do vírus varia entre 35% e 50% .
Não existe tratamento específico ou vacina amplamente disponível contra o hantavírus. O cuidado é de suporte, incluindo oxigenoterapia e ventilação mecânica em casos graves . O diagnóstico precoce aumenta as oportunidades de sobrevivência.
Neste contexto, navios de cruzeiro reúnem características que favorecem a disseminação de doenças infecciosas: ambientes compartilhados, convivência prolongada e espaços fechados. Historicamente, surtos em embarcações envolvem vírus respiratórios ou gastrointestinais, como influenza, sarampo, covid-19 e norovírus.
A OMS afirma que o risco para o público em geral é baixo e não existe recomendação de restrições de viagem. A entidade instrui monitoramento de sintomas, higiene frequente das mãos, ventilação adequada e isolamento de passageiros sintomáticos.
LEIA MAIS:
Prefeitura de Goiânia nega falta de Tamiflu; entenda para que serve o remédio
MP denuncia ginecologista Marcelo Arantes por estupro contra 15 pacientes em Goiás
Surto de hantavírus em navio de cruzeiro: o que se sabe sobre os riscos e a transmissão
Fonte: Tribuna do Planalto



