O projeto da L.D.O. de 2027, enviado à Câmara Municipal de Goiânia no último dia 16, estima um aumento expressivo nos investimentos em educação. A área passa de R$ 1,74 bilhão em 2026 para R$ 2,39 bilhões, um acréscimo de R$ 644,6 milhões, equivalente a por volta de 37%. Trata-se do maior volume de recursos entre todas as prioridades e metas da cidade para o ano que vem.
O reforço orçamentário, no entanto, convive com um problema persistente: o déficit de vagas na educação infantil. No mês de fevereiro de 2026, Goiânia liderava esse indicador em Goiás, com mais de 6 mil crianças de 0 a cinco anos fora de creches e pré-escolas. O dado evidencia a distância entre o planejamento orçamentário e a capacidade de atendimento da rede.
Conforme o projeto orientado ao Legislativo, a política educacional será estruturada em três eixos principais: Programa Primeira Infância na Escola, Educação para o Futuro e Manutenção e Desenvolvimento do Ensino para a Educação Básica. As diretrizes incluem desde a ampliação da infraestrutura até a manutenção de programas já existentes, com foco na universalização do acesso e na melhoria da qualidade do ensino.
Entre as prioridades, o documento destaca a construção, reforma e ampliação de unidades escolares, com atenção especial à educação infantil. A proposta também contempla a manutenção de creches e pré-escolas, o fortalecimento do ensino fundamental, da educação de jovens e adultos e do ensino especial, além da expansão do ensino em tempo integral.
O planejamento inclui ainda a manutenção do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) como principal mecanismo de financiamento, a execução de programas de autonomia das instituições educacionais e ações voltadas à formação e valorização dos profissionais da educação. A gestão integrada e o planejamento educacional aparecem como pilares para preservar eficiência na aplicação dos recursos.
DÉFICIT DE VAGAS SEGUE ALTO
Apesar da ampliação do orçamento, a resposta ao déficit de vagas ocorre de forma gradual. A prefeitura projeta a criação de por volta de 3 mil novas vagas na educação infantil, através da construção de salas e da locação de imóveis. O número representa pouco mais da metade da demanda atual, o que indica a permanência da fila mesmo com a expansão prevista.
No curto período, a Secretaria Municipal de Educação tem adotado medidas emergenciais para diminuir a pressão. Em 2026, o primeiro mutirão de vagas ofertou 2,8 mil oportunidades para crianças de 6 meses a cinco anos, com atendimento regionalizado. A estratégia busca redistribuir vagas disponíveis na rede e oferecer alternativas às famílias que aguardam atendimento.
A política inclui o encaminhamento de crianças para unidades fora da área de moradia, dentro de um raio considerado viável. A medida amplia o uso da estrutura existente, mas transfere para as famílias o desafio do deslocamento diário, o que pode dificultar a permanência das crianças na escola.
Em 2025, dois mutirões permitiram o atendimento de 1,5 mil crianças, a contar de vagas ociosas e desistências. Os resultados mostram que existe espaço para otimização da rede, mas também reforçam que o déficit não se limita à gestão de vagas, e sim à insuficiência de unidades, sobretudo em regiões de maior crescimento populacional.
MAIOR ORÇAMENTO DA GESTÃO
O cenário evidencia um contraste entre o avanço orçamentário e a realidade enfrentada pelas famílias. Enquanto a educação concentra o maior volume de investimentos previstos, outras regiões registram redução significativa. É o caso das políticas para mulheres, direitos humanos e assistência social, que terão queda de 76,7%, passando de R$ 41,2 milhões para R$ 9,5 milhões.
A tramitação do projeto na Câmara deve abrir espaço para debate sobre a efetividade das metas propostas. No caso da educação infantil, o principal desafio será transformar o aumento de recursos em ampliação concreta do acesso, com distribuição equilibrada das vagas e redução consistente da fila de espera.
A educação infantil se mantém como ponto sensível da política pública. O aumento de investimento sinaliza prioridade, mas a demanda acumulada exige respostas estruturais. Sem expansão acelerada da rede, o risco é de que o orçamento cresça em ritmo superior à capacidade de atendimento, mantendo milhares de crianças fora da escola.
Déficit e planejamento da educação
Orçamento e crescimento
R$ 2,39 bilhões previstos para 2027
Aumento de R$ 644,6 milhões em relação a 2026
Crescimento de por volta de 37%
Maior investimento entre todas as regiões da cidade
Situação atual
Mais de 6 mil crianças de 0 a cinco anos sem vaga
Maior déficit de educação infantil em Goiás
Estrutura da política educacional
Programa Primeira Infância na Escola
Educação para o Futuro
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE)
Principais ações previstas
Construção, reforma e ampliação de unidades
Manutenção de creches e pré-escolas
Expansão do ensino em tempo integral
Fortalecimento do Fundeb
Programas de autonomia escolar
Formação e valorização de profissionais
Medidas para ampliar vagas
Criação de por volta de 3 mil novas vagas
Construção de salas e locação de imóveis
Ações emergenciais
2,8 mil vagas ofertadas em mutirão de 2026
1,5 mil crianças atendidas em mutirões de 2025
Redistribuição de vagas ociosas
O projeto avança no papel e inicia sua análise no Legislativo. Para milhares de famílias, a expectativa continua concentrada em um ponto concreto: a vaga na escola.
Goiânia estima R$ 2,39 bilhões para educação em 2027
Fonte: Tribuna do Planalto



