O clima entre o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) e o presidente do Detran-GO, delegado Waldir Soares, se impulsionou quarta-feira agora (16), depois de declarações contundentes do gestor estadual contra a paralisação de 48 horas realizada por médicos e psicólogos credenciados ao Detran nos dias 15 e 16 de julho. Em entrevista ao Diário de Goiás, Waldir classificou o movimento como irregular e afirmou que os profissionais envolvidos podem sofrer punições, como suspensão ou até descredenciamento. “Não vamos ser tolerantes com médicos e psicólogos que agem dessa forma. Quem marcou atendimento, teve gasto, organizou a vida para ser atendido, não pode ser prejudicado”, falou o presidente do Detran-GO.
O delegado argumentou que a paralisação fere as regras de credenciamento da autarquia. Segundo ele, por não serem servidores públicos efetivos, os profissionais não têm direito a greve. “Eles não são servidores. São credenciados por livre e espontânea vontade, e credenciado não pode fazer greve. Isso não é permitido. Toda reivindicação é justa, mas há limites”, reforçou Waldir. Ainda conforme com o presidente do Detran-GO, o Governo de Goiás chegou a abrir diálogo com os profissionais e concedeu um período de 30 dias para discutir reajustes, proposta que teria sido aceita durante reunião com o governador em exercício, Daniel Vilela.
Simego rebate: “Declarações são autoritárias e antidemocráticas”
Em informe oficial divulgada também nesta quarta (16), o Simego classificou as falas de Waldir como autoritárias, antidemocráticas e ofensivas à liberdade sindical. A entidade sindical afirma que a mobilização dos profissionais foi legal, legítima e aprovada em Assembleia Geral Extraordinária, convocada dentro dos parâmetros estatutários. “Tentar criminalizar ou punir esse movimento legítimo apenas demonstra a dificuldade da gestão em lidar com reivindicações justas daqueles que sustentam, com seu trabalho, a continuidade dos serviços prestados à população”, diz a nota assinada através da presidente do sindicato, Franscine Leão.
O Simego também afirma que as reivindicações por reajuste dos honorários são antigas, e que o Governo do Estado teria ignorado vários pedidos formais de reunião desde 2023. De acordo com o sindicato, o único contato com o governo ocorreu depois de a aprovação da paralisação, o que, para eles, mostra que o diálogo só foi aberto mediante pressão. A entidade criticou ainda a fala de Waldir sobre o valor pago por exame — R$ 90 — ser “suficiente” para atendimentos que durariam “1 ou 2 minutos”. O sindicato classificou esse comentário como “desprezo pela responsabilidade técnica, civil e ética dos profissionais”, e afirmou que os exames exigem laudos oficiais, sistemas integrados e rigor técnico, o que não se compara a uma simples consulta clínica.
O impasse continua
O final da paralisação foi mantido para esta quarta-feira (16), mas o clima de tensão entre a categoria e o Detran-GO se mantém. O Simego prometeu ações jurídicas para assegurar a integridade dos profissionais e comprovou que os médicos credenciados não possuem vínculo empregatício direto com o Estado, o que impediria punições arbitrárias. O sindicato também perguntou a coerência do Governo, afirmando que o Detran reajusta todos os anos as tarifas cobradas do povo, muitas vezes acima da inflação, enquanto preserva valores defasados para a remuneração dos profissionais responsáveis pelos exames.
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Fonte: Tribuna do Planalto



