O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, defendeu quarta-feira agora (2/7) uma política de tolerância zero contra as facções criminosas como instrumento para desestimular o tráfico de drogas no Brasil. O argumento foi apresentado durante o XIII Fórum de Lisboa, na capital portuguesa, no painel “Política de Drogas: Entre Segurança e Saúde Pública”.
Com sua experiência como médico e gestor público, Caiado afirmou que existe um processo de “complacência” em relação às drogas, que provoca uma explosão na produção e no consumo. “Sou 100% contra a descriminalização das drogas. Não podemos permitir que o tráfico continue dominando territórios e formando novas gerações dentro de uma lógica criminosa”, afirmou.
Caiado chamou a atenção para o cenário vivido em estados como o Rio de Janeiro e regiões da Amazônia, além da crescente presença de facções brasileiras em países da América Latina e da Europa atuando no tráfico. “Quando o crime toma conta de uma comunidade, o Estado Democrático de Direito deixa de existir. É substituído por uma espécie de Estado paralelo”, alertou.
O governador explicou que, em Goiás, o enfrentamento a esse problema do tráfico de drogas é feito de forma integrada, com ações de segurança pública e investimentos em educação de qualidade e políticas sociais que oferecem alternativas e esperança aos jovens, impedindo que sejam cooptados através do narcotráfico. “É a desesperança que leva os jovens a caírem no mundo das drogas”, pontuou.
O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo, endossou a visão do governador de Goiás e explicou que um dos grandes problemas do enfrentamento às drogas fica na sua expansão territorial. “Existem regiões inteiras dominadas por traficantes, que muitas vezes eram usuários de drogas, cooptados desde cedo para crescer a serviço desse ecossistema criminoso”.
Socioeducativo
Caiado destacou ainda que, como resultado das ações do governo goiano, houve redução de 1.073 para 178 no número de jovens internados em centros socioeducativos nos últimos seis anos — uma queda de 83%. “Esses jovens estavam sob influência direta do tráfico. Mas, quando o Estado assume seu papel, o ciclo da violência é quebrado”, afirmou.
Fórum de Lisboa
Coordenado através do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), através do Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (ICJP) e através da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Fórum de Lisboa é feito todos os anos. O objetivo é dialogar sobre desafios, visões e diferentes modelos de sistemas jurídicos presentes em ambos os continentes, a começar de perspectivas variadas.
A atual edição ocorre de 2 a 4 de julho, na Cidade Universitária, em Lisboa. Caiado participou do painel sobre segurança e saúde ao lado do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Rogério Schietti Cruz; do presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Paulo Rebello; da professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, Monique de Siqueira Carvalho; e do diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências de Portugal, João Goulão.
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Fonte: Tribuna do Planalto



