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Lula assume Mercosul e vai insistir em acordo com a União Europeia

30 de junho de 2025
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Lula assume Mercosul e vai insistir em acordo com a União Europeia
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O Brasil assume na semana que vem a presidência do Mercosul, bloco econômico que integra países da América do Sul. Um dos objetivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do grupamento é finalizar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, além de fazer parte os acordos econômicos nos setores automotivo e açucareiro.

Lula embarca para Buenos Aires, na Argentina, na quarta-feira (2/7), para fazer parte da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, onde terá a passagem de comando da Argentina para o Brasil na quinta (3/7).

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Será a primeira visita do petista ao país vizinho desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina. Lula foi alvo de várias insultos públicos durante a campanha presidencial de Milei à Casa Rosada.

Entenda o que é o Mecosul

  • O Mercosul é um bloco político e econômico da América do Sul, que pretende fazer a integração regional entre os seus membros. Um dos principais objetivos é avançar o livre comércio, tanto de bens, como de serviços e outros setores produtivos.
  • O Mercosul é composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Bolívia fica no processo de integração, que pode trazer até 4 anos para definir a sua entrada no bloco.
  • Além dos países membros, o Mercosul tem aquelas nações associadas, como Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname.
  • De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, entre janeiro e maio de 2025, o intercâmbio feito entre os membros do Mercosul foi de R$ 17,5 bilhões.
  • O Brasil assume agora a presidência do bloco e tem como propósito alavancar o comércio no setor automotivo e açucareiro.

Mercosul-União Europeia

O Brasil chega à presidência do Mercosul tendo como um dos principais focos concluir o acordo entre o bloco da América do Sul e a União Europeia. A expectativa do governo Lula é assinar esse acordo o mais breve plausível. Recentemente, Lula se agrupou com o presidente da França, Emmanuel Macron, para tentar dar celeridade aos entendimentos.

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Lula e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na Cúpula do Uruguai

Ricardo Stuckert/PR2 de 4

Presidentes Javier Milei, Lacalle Pou, Ursula von der Leyen, Lula e Santiago Peña na cúpula do Mercosul, no Uruguai

Ricardo Stuckert/PR3 de 4

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na Cúpula do Uruguai

Reprodução4 de 4

Mercosul e União Europeia.

Reprodução.

O Metrópoles ouviu especialistas que acreditam que o acordo ainda fica longe de ser finalizado, mas que existe avanços significativos nas tratativas desde que o presidente Lula assumiu o poder, em especial no quesito ambiental.

“Como o governo Bolsonaro ameaçava sair do acordo de Paris e não priorizava a questão ambiental, que para os europeus é importante, o acordo foi fechado, quer dizer, a negociação foi fechada […] Quando Lula sumiu, eles fizeram […] um adendo ao acordo, onde o Brasil se compromete com mais umas questões, também pelo lado europeu há também algumas concessões e você, em princípio, achou que o acordo estaria fechado”, explica a professora Lia Valls, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Outro momento que estaria travando as negociações seria a questão ambiental, em especial através do lado francês, irlandês e espanhol. Na França, por exemplo, foi feito um estado onde o acordo entre Mercosul e União Europeia iria trazer prejuízos econômicos à agricultura do país.

“A França não é que a agricultura seja um fator fundamental em termos de contribuição para o PIB deles, mas é um setor que tem uma voz política ativa muito grande. E desde sempre, e à medida que foi se aproximando do cenário de possível fechamento do acordo”, complementa a professora da UERJ.

Negociações arrastadas

As discussões sobre um plausível acordo se arrastam por mais de 20 anos. Para Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no governo de Michel Temer (MDB) houve uma forte aceleração nas negociações, inclusive com uma considerada menos positiva para a indústria brasileira.

“O Temer é mais afeito à ideia da indústria e acelera muito esse processo. Ele acaba fazendo uma agenda menos positiva para o Brasil, cedendo mais, de maneira que não pode chegar ao uso do acordo. Ele não consegue assinar a tempo, mas evoluiu desde o primeiro acordo”, indica Leonardo Paz.

Já no governo Bolsonaro, além da questão ambiental, o pesquisador da FGV complementa que o ex-presidente iniciou confrontos com os chefes europeus, como Macron e Angela Merkel, o que acabou sendo mais uma barreira para a ratificação europeia.

Eduardo Galvão, professor de relações internacionais do Ibmec Brasília, complementa salientando que existe um receio em relação ao fechamento do acordo entre os dois blocos econômicos, em especial ao impacto na indústria regional.

“Do lado do Mercosul, há receios sobre os impactos na indústria regional e sobre a rigidez das exigências ambientais europeias, que podem acabar funcionando como barreiras comerciais disfarçadas”, indica Eduardo Galvão.

Além dos países europeus, o Mercosul analisa a possibilidade de expandir ainda mais o comércio com outras nações, como Japão e Indonésia, mas as tratativas ainda estão nas deliberações iniciais.

Com informações Metropoles

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