Embora seja mais frequente com o envelhecimento, doença poderá também ocorrer em adultos de 18 a 45 anos; especialista do Hospital Mater Dei Goiânia alerta para prevenção e reconhecimento dos indícios
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) costuma ser associado ao envelhecimento, mas a doença poderá também atingir adultos jovens. Dados da Rede Brasil AVC apontam que aproxamadamente 18% dos casos no país ocorrem em pessoas entre 18 e 45 anos, uma faixa etária em que muitas pessoas não imaginam estar sob risco.
O alerta fica justamente no fato de que muitos jovens podem não reconhecer os indícios e demorar a buscar atendimento, reduzindo as oportunidades de um tratamento mais eficaz.
Na última terça-feira (29), o caso do arquiteto Talles Sousa, de 39 anos, que morreu em Goiás depois de sofrer um AVC, reforçou a necessidade de ampliar a informação sobre os fatores de risco, os indícios de alerta e a necessidade de buscar atendimento de forma rápida diante dos primeiros sintomas.
De acordo com o neurocirurgião Dr. Marcos Spadoni, do Hospital Mater Dei Goiânia, o AVC não é uma doença exclusiva de idosos. “O AVC não é doença só de idoso, pode acontecer em qualquer idade. A idade pesa, mas jovens também têm AVC, e muitos demoram a buscar ajuda porque ninguém imagina que seja isso”, explica.
Fatores de risco aparecem mais cedo
Embora a idade seja um fator importante para o AVC, algumas condições associadas à doença têm aparecido cada dia mais cedo. Hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse, alterações no colesterol e sono inadequado estão entre os fatores que podem aumentar o risco.
Em pacientes jovens, a investigação médica também julga causas específicas, como alterações cardíacas, distúrbios de coagulação e problemas nos vasos sanguíneos. “Há um aumento de fatores de risco na população jovem, como obesidade, hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo, estresse e sono ruim. Também existem causas próprias do jovem, que são mais específicas”, destaca Dr. Marcos.
Entre essas causas estão o uso de drogas estimulantes, dissecção de artérias do pescoço, alterações cardíacas como o forame oval patente, enxaqueca com aura associada ao tabagismo e uso de anticoncepcional hormonal, além de distúrbios de coagulação.
Reconhecer os indícios pode salvar vidas
Um dos maiores desafios relacionados ao AVC é reconhecer de forma rápida os sintomas. Em muitos casos, principalmente entre pessoas jovens, os indícios poderão ser confundidos com outras condições, como enxaqueca, labirintite ou ansiedade.
Os principais indícios de alerta aparecem de forma súbita:
– desvio da boca;
– fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
– dificuldade para falar ou compreender;
– perda de visão;
– tontura intensa com perda de equilíbrio;
– dor de cabeça súbita e muito forte.
“Diante de qualquer um desses sinais, busque a emergência imediatamente. Não espere melhorar”, orienta o especialista.
Tempo é decisivo no tratamento
O AVC é uma emergência médica e cada minuto pode influenciar o prognóstico do paciente. “Em um AVC isquêmico, estima-se que cerca de 2 milhões de neurônios morrem a cada minuto sem tratamento. Quanto mais cedo a artéria é reaberta, maior a chance de recuperação”, explica Dr. Marcos.
De acordo com o médico, alguns tratamentos possuem uma janela de tempo específica. “A trombólise tem um tempo de até 4,5 horas, e a trombectomia por cateter pode ser indicada em casos selecionados por até 24 horas. A demora aumenta o risco de sequelas permanentes, como paralisia, perda da fala, dependência e até morte”, afirma.
O tratamento do AVC continua os mesmos princípios independentemente da idade, com indicação de trombólise ou trombectomia conforme avaliação médica. A diferença nos pacientes jovens fica principalmente na investigação da causa do acontecimento. “No jovem é preciso buscar a causa com mais profundidade, investigando vasos, coração e coagulação. Outro ponto é o diagnóstico tardio, porque os sintomas costumam ser confundidos com enxaqueca, labirintite ou ansiedade. Por outro lado, o cérebro jovem tem maior capacidade de recuperação, o que torna a reabilitação precoce ainda mais valiosa”, explica.
Prevenção começa antes dos sintomas
Embora alguns fatores não possam ser modificados, muitos riscos poderão ser reduzidos com acompanhamento e mudanças de hábitos.
Entre as principais recomendações estão:
– acompanhar regularmente pressão arterial, glicemia e colesterol, mesmo sem sintomas;
– não fumar e impedir drogas estimulantes;
– manter atividade física regular, com através do menos 150 minutos de exercícios por semana;
– cuidar da alimentação e manter peso saudável;
– priorizar qualidade do sono e controle do estresse;
– moderar o consumo de álcool;
– fazer acompanhamento médico periódico, inclusive com neurologista e cardiologista quando existir fatores de risco.
“O AVC pode ser prevenido em muitos casos. Conhecer os próprios números, cuidar da saúde cardiovascular e manter acompanhamento são atitudes que protegem o cérebro e o coração ao longo da vida”, orienta Dr. Marcos.
Por que o AVC também atinge jovens? Neurocirurgião explica fatores de risco e importância do atendimento rápido
Fonte: Jornal Horaextra


