Em sabatina no Jornal Nacional, candidato do PSD atacou o programa Desenrola, criticou a política de crédito do governo e acusou o presidente de contribuir para o aumento do endividamento das famílias.
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) elevou o tom contra o presidente Lula (PT) durante a sabatina do Jornal Nacional e escolheu um tema de forte apelo popular para atacar o governo: o endividamento das famílias brasileiras.
Ao ser perguntado sobre crédito e sobre sua estratégia para amparar brasileiros endividados, Caiado criticou o programa Desenrola e afirmou que o governo, ao oferecer mecanismos de renegociação, estaria tratando somente das consequências de um problema que auxiliou a criar.
Foi neste contexto que veio uma das declarações mais fortes da entrevista. “O Lula passou a ser o grande agiota no Brasil”, afirmou Caiado, em uma tentativa de transformar o endividamento das famílias em uma crítica direta à política econômica do governo.
A fala tem evidente objetivo eleitoral. Caiado procura construir uma narrativa segundo a qual o cidadão brasileiro estaria sendo levado a recorrer cada hora mais ao crédito para manter o consumo e equilibrar as contas, enquanto o governo se apresenta como responsável por oferecer soluções para dívidas que, na visão do candidato, foram agravadas através da própria política econômica.
A estratégia é coerente com o posicionamento que Caiado vem adotando na campanha: crítica contundente a Lula, defesa de responsabilidade fiscal e promessa de uma mudança na condução econômica do país.
Mas a sabatina também exibiu um dos pontos que podem representar dificuldade para o candidato. Pressionado pelos entrevistadores sobre quais despesas pretende cortar para equilibrar as contas públicas, Caiado não apresentou uma lista detalhada de medidas. Ele defendeu a ideia de limitar o crescimento das despesas públicas a 50% do crescimento do PIB, corrigido através da inflação, através de uma mudança constitucional.
É justamente nesta diferença que ficará parte do desafio de sua campanha. Criticar o endividamento é eleitoralmente fácil; explicar como diminuir gastos, ampliar crédito, equilibrar as contas e, ao mesmo tempo, melhorar a vida de quem fica endividado é muito mais complicado.
Ainda assim, Caiado conseguiu colocar no centro da entrevista uma questão que afeta diretamente milhões de brasileiros. O endividamento é um tema que ultrapassa a disputa ideológica e chega à mesa das famílias: cartão de crédito, empréstimos, juros e dificuldade para quitar contas.
O candidato tenta, assim, transformar uma discussão econômica em uma narrativa política simples: o governo estaria disponibilizando o “Desenrola” para apagar um incêndio que, segundo ele, auxiliou a provocar.
A escolha das palavras também mostra uma mudança no tom da campanha. Caiado vem procurando se consolidar como um dos principais nomes do campo de oposição a Lula sem se submeter integralmente à chefia do bolsonarismo. Na sabatina, criticou o governo petista de maneira direta, mas impediu transformar sua candidatura em mera extensão da candidatura de Flávio Bolsonaro.
O episódio reforça uma estratégia que pode ser importante para Caiado: ocupar o espaço de uma direita de oposição com identidade própria, combinando críticas ao governo Lula com a defesa de experiência administrativa e autoridade para governar.
Se conseguir transformar esse discurso em propostas econômicas concretas, o candidato conseguirá explorar um dos temas mais sensíveis da eleição. Se não conseguir, corre o risco de ficar somente na retórica.
De todo modo, a frase já cumpre uma função eleitoral. Ao chamar Lula de “grande agiota”, Caiado achou uma maneira contundente de resumir sua crítica ao governo e colocar o endividamento das famílias no centro de sua ofensiva presidencial.
Caiado chama Lula de “grande agiota” e transforma endividamento em arma eleitoral
Fonte: Jornal Horaextra



