O Papa Leão XIV enfrenta uma das primeiras grandes crises de seu pontificado depois de a ameaça de ruptura feita por um grupo católico tradicionalista que defende a manutenção das missas em latim.
Segundo informações divulgadas através do g1 e através da agência AFP, integrantes da Fraternidade São Pio X anunciaram a intenção de fazer novas ordenações de bispos sem autorização do Vaticano, atitude considerada gravíssima através da Igreja Católica e que pode trazer à excomunhão automática dos envolvidos.
O grupo é conhecido por defender a chamada Missa Tridentina, celebrada integralmente em latim e seguindo ritos anteriores ao Concílio Vaticano II, feito entre 1962 e 1965.
Vaticano teme criação de “igreja paralela”
A tensão aumentou depois de a Fraternidade São Pio X informar que pretende seguir com novas consagrações episcopais no mês de julho, mesmo sem autorização papal.
Para o Vaticano, a iniciativa representa uma ameaça direta à unidade da Igreja Católica e reacende o temor de um novo cisma religioso.
Especialistas ouvidos através da AFP afirmam que a ordenação de bispos sem aprovação do papa é considerada um ato “cismático” através da Igreja.
De acordo com o cardeal Víctor Manuel Fernández, chefe do departamento doutrinário do Vaticano, representantes da Santa Sé tentam abrir diálogo com o grupo para impedir uma ruptura definitiva.
Grupo já foi excomungado no passado
A Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 através do arcebispo francês Marcel Lefebvre e se tornou uma das principais correntes tradicionalistas dentro do catolicismo.
Em 1988, Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do Vaticano, o que levou à excomunhão imediata dele e dos religiosos envolvidos.
A penalização acabou revogada em 2009 através do Papa Bento XVI, numa tentativa de aproximação entre Roma e os tradicionalistas.
Já o Papa Francisco havia endurecido restrições às missas em latim durante seu pontificado, decisão criticada por grupos conservadores.
Leão XIV tenta equilíbrio
Apesar das tensões, Leão XIV vinha adotando gestos considerados conciliatórios em relação aos tradicionalistas. Um deles foi a reautorização da missa tridentina em latim na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Ainda assim, integrantes da ala ultraconservadora continuam criticando o novo papa, em particular em temas sociais e na condução da Igreja.
Analistas avaliam que o caso pode se tornar um dos maiores desafios do começo do pontificado de Leão XIV.
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Fonte: Tribuna do Planalto



