A vacinação nas escolas se consolida como eixo estratégico para a recuperação das coberturas vacinais no Brasil. Instituída através da Lei 14.886/24 e fortalecida através do Programa Saúde na Escola, a iniciativa leva equipes do Sistema Único de Saúde ao ambiente escolar para verificar cadernetas, atualizar esquemas vacinais e ampliar o alcance das campanhas. A medida prioriza crianças e adolescentes com menos de 15 anos, público historicamente mais carente à queda na imunização.
O cenário recente evidencia a necessidade da estratégia. Em Goiás, a cobertura vacinal sofreu retração expressiva entre 2020 e 2021, momento em que imunizantes como febre amarela atingiram 66% e poliomielite 72,7%. Com início de 2022, o estado iniciou recuperação progressiva, com resultados mais consistentes em 2025. Vacinas como BCG e pneumocócica alcançaram 93,6%, enquanto a tríplice viral chegou a 89,8%. Apesar do avanço, índices como o da febre amarela, com 73,6%, ainda indicam lacunas importantes.
A inserção da vacinação no cotidiano escolar diminui barreiras de acesso e amplia a adesão das famílias. A logística permite que estudantes sejam imunizados sem necessidade de deslocamento até unidades de saúde, o que favorece inclusive os responsáveis com restrições de tempo. Em Goiás, a obrigatoriedade do certificado de vacinação no ato da matrícula, vigente desde 2023, reforça o controle e incentiva a atualização do calendário vacinal.
Experiências municipais demonstram o potencial da estratégia. Em Aparecida de Goiânia, a campanha iniciada em 2026 estima imunizar 30 mil crianças e atingir 90% do público-alvo. A ação concentra-se em doenças de alta transmissibilidade em ambientes coletivos, como sarampo, coqueluche e influenza, com atuação direta em centros de educação infantil e escolas. A inclusão de trabalhadores da educação amplia a proteção coletiva e diminui a circulação de agentes infecciosos.
No plano nacional, a vacinação nas escolas integra uma política de enfrentamento à hesitação vacinal e de prevenção de doenças imunopreveníveis. A estratégia articula ações de comunicação, mobilização social e monitoramento contínuo, com foco na recomposição de coberturas e na prevenção de surtos. Ao aproximar o serviço de saúde da rotina escolar, o modelo fortalece a cultura da imunização e amplia a capacidade de resposta do sistema público.
Integração entre saúde e educação amplia cobertura e diminui desigualdades
A articulação entre os setores de saúde e educação consolida um modelo de atuação que amplia o alcance das políticas públicas de imunização. Por intermédio do Programa Saúde na Escola, equipes das unidades básicas atuam diretamente nas instituições de ensino, o que permite reconhecer, ao vivo, estudantes com esquemas vacinais incompletos e acionar estratégias de regularização. Esse modelo diminui a dependência da demanda espontânea e fortalece a busca ativa.
Dados de Goiás indicam que a recuperação das coberturas vacinais fica diretamente associada à intensificação de estratégias extramuros. Entre 2021 e 2025, a vacina pentavalente evoluiu de 73,1% para 82,2%, enquanto a poliomielite passou de 72,7% para 84,7%. A ampliação do acesso, apoiadora à reorganização dos serviços de saúde, contribuiu para esse avanço, ainda que parte dos imunizantes permaneça abaixo das metas ideais.
A presença das equipes de vacinação nas escolas também permite maior eficiência no monitoramento e na farmacovigilância. A proximidade com estudantes e profissionais da educação facilita o acompanhamento de eventos adversos e a direção direta às famílias, o que contribui para diminuir a hesitação vacinal. A comunicação habilitada, integrada ao ambiente pedagógico, fortalece a compreensão sobre a necessidade da imunização.
Outro impacto relevante fica na redução das desigualdades regionais. Municípios com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde encontram na escola um ponto de convergência capaz de ampliar a cobertura. A estratégia padroniza procedimentos, mas permite adaptações locais, o que defende maior efetividade. Ao combinar educação em saúde, logística ampliada e monitoramento contínuo, a vacinação nas escolas consolida-se como ferramenta estruturante para a sustentabilidade dos índices vacinais no país.
SAIBA MAIS
População-alvo da estratégia e plano vacinal nas escolas
Público-alvo
Crianças e adolescentes menores de 15 anos, matriculados na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio
Vacinas, faixa etária e tipo de ensino
Educação infantil
Febre amarela
Faixa etária: a começar de 9 meses até menores de cinco anos
Tríplice viral
Faixa etária: a começar de 12 meses
Tríplice bacteriana (DTP)
Faixa etária: conforme calendário infantil
Ensino infantil e fundamental
Febre amarela
Faixa etária: 5 a menores de 15 anos
Tríplice viral
Faixa etária: 5 a menores de 15 anos
Tríplice bacteriana (DTP)
Faixa etária: 5 a menores de 15 anos
Ensino fundamental e médio
Meningocócica ACWY
Faixa etária: adolescentes
HPV4
Faixa etária: 9 a 14 anos
Dengue
Faixa etária: 10 a 14 anos, conforme estratégia local
Dado-chave
Meta nacional de cobertura vacinal é de 90% para a maioria dos imunizantes do calendário infantil
Escolas assumem papel estratégico na recuperação da vacinação infantil
Fonte: Tribuna do Planalto



