O deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) protocolou, segunda-feira agora (6), uma queixa-crime no Tribunal de Justiça de Goiás contra o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB). A ação aponta os crimes de calúnia e difamação, com pedido de aumento de pena por ter ocorrido em meios que ampliam a difusão (imprensa e redes sociais).
De acordo com a queixa a que a Tribuna do Planalto teve acesso, Mabel teria dito em entrevista que “cortou um dinheiro grande” que o deputado “tirava da Comurg e de outros lugares”, além de utilizar expressões como “acabei com a mamata” ao comentar cortes de cargos e regalias políticas.
Na petição, a defesa do deputado sustenta que “havia intenção de ofender a reputação do Querelante, imputando-lhes fatos desonestos que afetam sobremaneira seu patrimônio moral e social”.
Para a defesa de Clécio, isso imputa falsamente crime ao parlamentar e atinge sua reputação. As falas foram registradas por diferentes veículos e perfis, citados na peça.
Reportagem da Tribuna do Planalto, de 5 de setembro de 2025, sob o título “Mabel rebate ex-líder na Câmara e aponta fim de ‘mamata’ em Goiânia”, também é mencionada no processo como parte do contexto das declarações do prefeito.
No texto, Mabel reage à crise com vereadores, fala em “enxugar as tetas” e associa as críticas administrativas que recebe aos cortes na máquina pública, incluindo a Comurg
Calúnia e difamação
Calúnia é atribuir falsamente a alguém um crime; difamação é atribuir um fato desonroso que prejudica a imagem da pessoa (mesmo que não seja crime).
Nos dois casos, quando as falas ocorrem de modo a alcançar muita gente, como em entrevistas, sites e redes sociais, a lei estima aumento de pena.
A ação pede que o TJ-GO receba a queixa e intime o prefeito para responder. Ainda não existe julgamento do mérito, portanto, vale a presunção de inocência.
Contexto político
As declarações ocorreram no auge da tensão entre Paço e Câmara depois de a saída do vereador Igor Franco (MDB) da chefia do governo e a instalação da CEI da Limpa Gyn. Na ocasião, Mabel defendeu cortes e negou retaliações, enquanto Franco e outros parlamentares reagiram publicamente.
“Acabei com a mamata. Por isso, reclamam de mim”, falou. “O cara é líder do governo. Quem é líder tem que ser fiel ao governo. Quem é infiel vai ter os mesmos privilégios? Não”, afirmou Mabel. “Ele (Franco) tinha R$ 200 mil de cargo, eu fui descobrir isso agora também. Vai perder essas regalias. […] Eu enxuguei as tetas.”
Sobre o deputado Clécio Alves, ele afirmou: “Tinha umas tetas gordas que o pessoal estava mamando. Enxuguei elas. É por isso que o deputado Clécio me xinga todo dia na Assembleia. Por que ele xinga todo dia? Ele tem razão de me xingar. Porque eu cortei um dinheiro grande que ele tirava lá da Comurg, de outros lugares”, afirmou.
“Eu sou inimigo dele (Clécio), mas sou amigo da cidade. Eu sou advogado da cidade. Enquanto eu estiver aqui, eu estou protegendo o dinheiro público, fazendo render”, declarou o prefeito em entrevista coletiva.
A Tribuna enviou um pedido de posicionamento de Sandro Mabel à Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Goiânia terça-feira agora (7) e ainda não teve retorno.
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https://tribunadoplanalto.com.br/mabel-rebate-ex-lider-na-camara-e-aponta-fim-de-mamata-em-goiania/
Clécio Alves apresenta queixa-crime contra Sandro Mabel por calúnia e difamação
Fonte: Tribuna do Planalto



