A decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) de vetar entrevistas do ex-presidente Jair Bolsonaro à imprensa não é inédita. Em 2018, às vésperas do primeiro turno das eleições, o então detido Luiz Inácio Lula da Silva também foi impedido de conceder entrevistas por decisão da Corte.
Naquele momento, o PT enfrentava uma das maiores crises. Lula havia tido a candidatura à presidência negada através do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), baseado na Lei da Ficha Limpa. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, cumpria pena em Curitiba. Com a candidatura barrada, Fernando Haddad assumiu a cabeça da chapa petista, ainda pouco conhecido nacionalmente, ao lado de Manuela D’Ávila como vice.
Mesmo detido, Lula recebeu autorização do ministro Ricardo Lewandowski, em 28 de setembro, para conceder entrevistas à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e ao El País Brasil. O ministro destacou que Lula estava custodiado na sede da Polícia Federal, e não em cadeia, e que entrevistas a detentos eram comuns no país.
Pouco depois, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Lewandowski e proibiu qualquer manifestação de Lula à imprensa, alegando riscos à ordem pública. A medida foi criticada como censura por setores da esquerda, da mesma forma que a recente decisão contra Bolsonaro tem sido atacada por apoiadores do ex-presidente.
Na época, o clima eleitoral também era tenso. Bolsonaro havia sofrido um atentado a faca em Juiz de Fora (MG) no começo de setembro e, por estar hospitalizado, ficou de fora dos debates presidenciais, o que acabou beneficiando a campanha, impulsionada através do discurso antipolítica e através da força da Lava Jato.
Fonte: MaisGoias



