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Mabel fundamenta condições de funcionamento do aterro sanitário

28 de junho de 2025
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Mabel reafirma condições de funcionamento do aterro sanitário
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O prefeito Sandro Mabel defendeu a legalidade da operação do aterro sanitário de Goiânia, em entrevista coletiva na próxima sexta (27/6) no Paço Municipal. Mabel preservou que não cederá a pressões “para enviar nosso lixo para aterros privados” e assegurou que serão feitos investimentos no local nos próximos dois anos para que o aterro seja “um dos mais modernos do país”. A manifestação do prefeito foi uma reação à difusão de relatório técnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) que aponta várias irregularidades graves no funcionamento do Aterro Sanitário de Goiânia, que apresenta riscos ambientais. O documento foi contestado.

O prefeito citou o relatório mais recente do Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades (IPGC), divulgado no mês de junho de 2025, que atribuiu nota 7,5 ao aterro, classificando-o como “parcialmente adequado”, e com viabilidade para continuidade da operação. Mabel também citou relatório da Fral Consultoria, além da Controladoria-Geral da União (CGU) que, em vistoria realizada no mês de maio, elogiou a estrutura e a equipe técnica do local.

Mabel afirmou que o objetivo é concluir a modernização total em até dois anos, com a implantação de uma estação de tratamento definitiva e o aproveitamento do gás para geração de energia. A água obtida do tratamento do chorume será desmineralizada e conseguirá ser vendida ou usada em processos industriais. O plano ainda estima a criação de uma Central de Tratamento de Resíduos (CTR). “Abrir mão do aterro significa abandonar o local, o que aumenta os riscos. Estamos trabalhando para transformá-lo em um dos mais modernos do Brasil”, concluiu.

Sem base técnica

A presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), Zilma Peixoto, falou que o relatório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semad), que aponta riscos no aterro sanitário de Goiânia, não apresenta base técnica nem estudos detalhados. Segundo ela, um dos itens do documento questiona a ausência de um supervisor técnico no local, mas a gestão conta com um profissional capacitado, elogiado inclusive através da Controladoria-Geral da União (CGU).

A titular da Amma criticou a falta de cálculos que sustentem a hipótese de risco de desmoronamento do maciço e destacou que, em vistoria recente, auditores da CGU atestaram a boa condição do aterro, inclusive sem odor. Ela defende maior transparência no debate e cobrou acesso ao relatório técnico para que a prefeitura possa apresentar respostas e prazos de execução. “O prefeito já se colocou à disposição para prestar contas regularmente e pediu apenas a oportunidade de implementar melhorias no sistema de tratamento de resíduos”, completou.

Ainda conforme com Zilma Peixoto, o relatório da Semad elenca 34 itens, dos quais 20 são contestados através da prefeitura por falta de base técnica, cálculos ou estudos laboratoriais. Ela afirmou que, em reuniões com o Ministério Público, o prefeito chegou a apresentar um relatório detalhado com as condicionantes já atendidas e os prazos para as pendências, na tentativa de conseguir um licenciamento corretivo.

“A prefeitura demonstrou disposição em prestar contas, mas não teve a oportunidade de avançar com o plano. Quando solicitamos a licença corretiva, a Semad negou, exigindo o pedido de encerramento em um prazo inviável de dois meses”, falou Zilma. Para ela, a gestão municipal fica comprometida com a regularização do aterro, mas enfrenta entraves administrativos que dificultam as soluções.

Investimentos

Mabel destacou os investimentos já realizados para modernização do tratamento de resíduos do aterro, como em infraestrutura, aquisição de equipamentos e pedido de licença de funcionamento junto a órgãos ligados ao meio ambiente, para rebater críticas recentes sobre a segurança do local e de que existe risco de desmoronamento ou explosão no local.

Ele explicou ainda que o município planeja utilizar tecnologia semelhante à adotada em países europeus, que permite processar até 65% do lixo para reciclagem e queimar o restante, sem gerar resíduos ou chorume. “Não sobra nada, nem um litro de chorume, nem um quilo de lixo. Esse é o caminho que queremos seguir”, pontuou.

O prefeito descartou a utilização de aterros privados. Segundo ele, o aterro municipal custa aproxamadamente R$ 40 por tonelada de lixo cuidado, enquanto aterros privados exigem até R$ 170. “Não vamos aceitar pressionarem para enviar nosso lixo para aterros privados. Com os recursos que economizamos, podemos investir em soluções definitivas e sustentáveis”, afirmou.

Plano de operação

Do maquinário adquirido através da gestão Sandro Mabel, para auxiliar na manutenção do aterro, que continua o plano de operação vigente, estão 12 novos maquinários adicionados à frota (4 tratores de esteira, 1 escavadeira hidráulica, 2 pás carregadeiras, 1 retroescavadeira e 4 caminhões basculantes). No local, já foram iniciadas obras de adequação, com limpeza e correção dos taludes, com ações contínuas de cobertura diária dos resíduos, drenagem de chorume e gás, e controle dos resíduos.

A prefeitura informa que fica em processo de contratação de uma empresa para monitoramento ambiental e geotécnico, e elaboração de uma licitação para implantação de unidade de tratamento de chorume que, no momento é orientado para tratamento complementar na ETE da Saneago. Também será contratado serviço para beneficiamento dos resíduos da construção civil, com objetivo de promover a destinação adequada.

Relatório da Fral Consultoria – empresa que tem especialização no desenvolvimento de projetos de prestação de serviços, dentre eles em meio ambiente – emitido em 2022, valida o funcionamento do aterro sanitário de Goiânia, confirmando que ele opera adequadamente. Conforme o documento, o aterro teria condições plenas de operação por mais sete anos, mesmo sem nenhuma adequação adicional.

Baseado nos relatórios técnicos citados, existe um entendimento de que o encerramento precoce das atividades do aterro sanitário de Goiânia traria risco ambiental e impacto direto à prestação do serviço de coleta de lixo na capital, julgando que são gerados, em média, mil toneladas de resíduos diariamente. Enquanto isso, o município continua buscando alternativas técnicas e legais para assegurar a operação regular da unidade, baseado na responsabilidade ambiental e no interesse público.

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Fonte: Tribuna do Planalto

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