A Polícia Civil indiciou dois médicos por homicídio culposo contra a empresária Fábia Portilho, 52, que morreu depois de fazer uma cirurgia plástica em um hospital de Goiânia. Conforme o boletim de ocorrência, ela faleceu depois de uma mamoplastia e uma lipoaspiração. À época, a família dela denunciou que houve negligência médica e falta de socorro por parte do hospital. Ela foi operada em 3 de maio e morreu na noite do dia 7 daquele mês.
De acordo com a corporação, o laudo cadavérico apontou que o falecimento foi devido a um choque obstrutivo por extenso tromboembolismo pulmonar gorduroso. O caso é associado ao choque séptico e hipovolêmico, com relação direta com as complicações da cirurgia e pós-operatório. Ao O Popular, a delegada Lara Soares falou que, entre as falhas, houve a ausência de pedido e realização de exames importantes para o diagnóstico, e “injustificada” demora na gestão de antibióticos e na transferência para hospital com estrutura adequada.
A investigação apontou, ainda, que os médicos decidiram aguardar a evolução do quadro, apesar dos indicações de agravamento clínico. “Durante todo o dia, ela se queixou de muita dor, formigamento no corpo, queimação no corpo. O quadro dela foi se agravando além desses sintomas que ela relatava, o quadro clínico e a análise dos exames também mostraram que ela começou a ter uma queda muito grande na pressão arterial, queda de temperatura, chegando a 34º, o que já caracteriza uma hipotermia. Tudo isso começou a partir das 17h. Ela [também] passou a apresentar confusão mental”, falou a delegada ao veículo de comunicação.
Os indiciados são o cirurgião Nelson Fernandes, que realizou os procedimentos, e o plantonista Eduardo Lima de Melo Júnior, que atendeu no pós-operatório. Advogado do segundo, Corby Eduardo Pereira diz que ainda não teve acesso total ao inquérito, mas reforçou que a atuação de seu cliente foi exclusivamente no momento pós-operatório, quando adotou as condutas médicas necessárias e compatíveis com a boa prática médica.
A defesa do cirurgião, por sua vez, falou que o indiciamento ocorre em fase investigativa, sem oferecimento da denúncia ou formação de culpa. Diz, ainda, que o caso é uma “fatalidade decorrente de complicação grave, porém reconhecida, associada a cirurgias plásticas extensas”. Segundo ele, não existe evidências de conduta dolosa ou negligência dos médicos.
Já o hospital afirma que colabora desde o começo com as investigações e que foram adotadas todas as condutas médicas “baseadas em critérios técnicos” durante o atendimento. Informou, ainda, que não existiu “omissão estrutural ou insuficiência de meios por parte da instituição”.
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Fonte: MaisGoias



